7 April 2021

Quem é Alice?

Suzy Lee

 “O grande paradoxo que percorre as aventuras de Alice, diz Deleuze, é a perda do nome próprio, identidade infinita, eterno devir. Quando a lagarta pergunta para a menina, quem é você? Alice não sabe a resposta. Eu sei quem EU ERA mas tenho me transformado várias vezes desde então. Num paradoxo Alice diz que não, mas também diz que sim: sei quem sou, contínua transformação. Como Alice, quando parece que sabemos quem somos, já somos outros, e o que achamos que somos é o que um dia fomos. E o mundo que conhecemos já é outro a cada instante. Menina que nasceu no rio de Heráclito, que sabe que o ser e o não ser conversam todo tempo, num eterno ciclo de se criar a todo momento.

Quando Alice diz que só sabe quem foi, diz que estamos sempre em movimento. E quando foi ilustrada por John Tenniel na Inglaterra vitoriana, inaugurou uma tradição de Alices que seguiram o seu caminho. Mas Alice já não é mais a Alice vitoriana, mas o caleidoscópio vivo de todas as possibilidades. Quantos artistas foram de fato movidos pela necessidade de superação dos modelos estereotipados da menina e seu mundo surpreendente, e pela procura por novas aventuras na linguagem?”


PELIANO, Adriana. A caça à Alice em 7 crises.
LITERARTES. “Publicação científica digital  do grupo de pesquisa Produção literária e cultural  para crianças e jovens da USP”.


Suzy Lee

 

 “Em diferentes encarnações novas Alices não buscam reproduzir em imagens o que está escrito nos livros, mas de viajar em suas veias e teias, entre mergulhos, travessias e cogumelias. Inúmeras alicinações podem ser criadas desvairando em paradoxos, línguas inventadas, desejos nômades, metamorfoses sem cabeças, sonhos dentro de sonhos, caminhos erráticos, risos loucos pairando no ar, desloucamentes. Ao invés da pergunta: quem é Alice, hoje desdobram caminhos para quem Alice pode tornar-se...”

Alicis Especularis.
LINK


Com que Alice eu vou?

 Sendo pesquisadora, colecionadora e  apaixonada pelas aventuras de Alice, é comum as pessoas me perguntarem que edição brasileira eu recomendo. A resposta é sempre, depende. Existem diferenças mais ou menos evidentes entre as traduções e adaptações e seus propósitos específicos, entre ilustradores e linguagens estéticas, entre múltiplas possibilidades gráficas expressas no design e que se traduzem na materialidade do livro. Também é importante levar em conta abordagens editoriais distintas que se consolidam através de notas, posfácios, prefácios e apêndices que favorecem um aprofundamento do leitor no texto e no contexto da obra.

Uma outra questão que é particularmente intrigante em se tratando de Alice é: que edições de Alice a pessoa já tem e o que espera dessa primeira ou dessa nova edição? Quer uma edição com conteúdo de referência e pesquisa e uma tradução de maior relevância acadêmica ou quer uma edição de colecionador artisticamente mais ousada e desafiadora? As vezes essas características se combinam, outras vezes não. Para quem é o livro? Qual a relação que o leitor tem com arte e literatura? É criança? É adulto? Que critérios são mais relevantes para você?

 

A Toca do Coelho. YAYOI KUSAMA. 2012.

Nicolau Sevcenko fala de seu encantamento por Alice

 

Rosângela Rennó
 
“Alice para mim é muito esse lado impulsivo, esse lado criativo, esse lado irreverente, que agente tende a associar com a infância, com a juventude, e que obviamente vai sendo sufocado em cada um pelo processo educativo e pelo modo que vamos nos sujeitando às regras do meio social e às injunções de uma vida professional que acaba criando uma série de limitações e nos põe num trilho que nos torna imensamente previsíveis e que de certa forma aniquila a Alice que há em cada um de nós.

Eu acho que todo mundo é Alice.  Alice para mim é o brilho nos olhos quando você sente a vivacidade, quando você sente a pulsação, quando você sente essa vibração que todo ser humano tem em si, aquele elemento singular, aquela espécie de energia íntima, criativa, espontânea, imprevisível, que faz de todo ser humano uma surpresa permanente desde que ele tenha esse espaço e essa possibilidade de colocar o seu brilho para fora, de irradiar, de brilhar. Alice para mim é esse brilho, essa irradiação.

O que eu acho que o livro faz é essa mágica de deflagrar o gatilho de Alice de cada um e uau! Quando agente entra no  mundo da Alice agente se torna Alice. Nesse sentido Alice está em todos nós, todos nós somos Alice, em suma: Alice é o melhor de cada um de nós.”

Nicolau Sevcenko, 2009.

Entrevista inédita, transcrição minha.

 

"Um dia, Alice" e seus monstros

 Essas são as páginas do livro que foi lido durante o evento "Um dia Alice", em 11 de abril de 2010.

Exemplar único produzido para o evento, não foi publicado. 

Seleção de textos e imagens: Adriana Peliano.

A atriz Karol Korsakoff leu "Uma viagem inesquecível";  a professora de literatura Thereza Vasques leu "Esse livro é doido"; Thereza Vasques e o cineasta "Dennison Ramalho" leram "Jabberwocky". Thereza leu as traduções do poema para o português e Dennison leu o poema original.
 

1 October 2018

Fantasticamente Alice

Segue um trecho de artigo sobre Alice na ilustração presente no livro....

Baixe o PDF do livro completo nesse LINK.

por Priscilla  Ramos Nannini 
 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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2 July 2018

Que caminhos Alice percorre em suas aventuras?


"Após a leitura do livro “Alice no País das Maravilhas”, os alunos dos 7º anos do Colégio Objetivo – Unidade Barão Geraldo, Campinas – orientados pela professora Jacqueline Gewehr Meneghini, nas aulas de Redação, fizeram um levantamento do caminho feito pela protagonista, desde quando estava no jardim com a irmã, até seguir o Coelho Branco caindo na toca e ir parar no País das Maravilhas, vivendo todas as aventuras e voltando ao jardim. Em seguida, construíram um mapa com linguagem verbal e não verbal de acordo com a interpretação de cada um da história lida."

Alguns exemplos...










1 July 2017

Quem é você?


"Receio não poder me explicar", respondeu Alice, 
"porque não sou eu mesma, entende?"


 Adriana Peliano veja!

7 October 2016

As Silhuetas de Alice por Karina Matulevicius


 Conheci essa semana a artista alicista Karina Matulevicius que também participa da exposição "Experiência Alice". Nesse ensaio fotográfico podemos entrar na floresta do sonho dela e viajar com o coelho cor de rosa e  silhuetas alicedélicas.


"AS SILHUETAS DE ALICE é um projeto idealizado pela designer Karina Matulevicius (kM.), que, desde pequena, tem o filme Alice no País das Maravilhas e os livros de Lewis Carroll como suas principais fontes de inspiração e estilo de vida.

Tentando estimular o questionamento sobre a vida, o projeto tem como principal objetivo transportar as pessoas a um mundo paralelo de fantasia, fazendo-as pensar em suas vidas cotidianas de forma crítica e até encorajadora.

Muito dos temas abordados são metáforas e citações expostas no filme, que nos fazem refletir o quanto nossa vida é cheia de histórias e situações “estranhas”, dignas de “País das Maravilhas”. Ou não.

Será que o filme, ou o livro (original), era para crianças mesmo? A resposta fica na interpretação da designer, que através da arte, mostrou o que se passava em sua cabeça.

Divirtam-se! O coelho branco acabou de passar..."



VEJA MAIS 

Fotos Carolina Bonesso Fotografia












 
Parte 2

Relógicos loucos e alicedélicas unidas...


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Desenhos cenográficos


de Karina Matulevicius....

a partir de colagens de Adriana Peliano...

sobre ilustrações originais de John Tenniel (1865)...