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24 June 2010

Alice feminista




Psychological and feminist analysis of Tim Burton's Alice.


Adriana Tanese Nogueira


Parabéns ao diretor do filme, Tim Burton. A nova Alice no País das Maravilhas tem tudo o que precisamos para dar o salto para o próximo nível psicológico da libertação da mulher. Com apurados efeitos visuais e as mudanças apropriadas à história original, esta sumariza a jornada da heroína rumo à terra das maravilhas.

Este filme lembrou-me de Yentl, um filme dos anos 80, com Barbara Streisand como principal protagonista representando uma moça judia que disfarçou-se de homem para poder seguir seu amor pelo conhecimento. Desta vez, quase trinta anos depois, o que queremos são maravilhas. Queremos frescor, supresa e encantamento. Não estamos mais satisfeitas com o velho conhecimento de sempre, que, a propósito, é feito pelos graves e rígidos estudiosos homens. Este não é o caminho feminino. Aquilo foi seu começo, a prehistória da libertação das mulheres. Para poder avançar, as mulheres agora devem libertar-se das correntes internas que as seguram, e entrar no país das maravilhas.

Vamos analisar o filme para compreender o padrão da jornada interior das mulheres.

Para começar, Alice tem um pai visionário. Como escrevi recentemente (Anima e Animus. Nossos país dentro de nós), a figura paterna representa o mundo das idéias para a garota. Tendo uma mente inventiva, o pai de Alice endossa os estranhos sonhos da filha. “As pessoas loucas são sempre as melhores”, ele acrescenta. E isto é verdade, pois as novas idéias frequentemente parecem loucuras, mas sem elas estaríamos todos ainda na Idade da Pedra Lascada. Agora, saber disso na forma de uma afirmação geral é uma coisa; outra totalmente diferente é viver esta realidade numa vida de pessoa normal. Qualquer pessoa diferente de seu ambiente sabe o quanto é difícil confiar em si e manter firme a própria visão das coisas. Assim Alice.

Não é suficiente sentir-se diferente do modelo social de um determinado momento histórico. Quando uma mulher deixa a infância e entra no mundo adulto onde ela tem que tomar decisões e definir sua vida, ter tido uma criação propícia lhe dá o forte sentimento de desconforto no assim chamado mundo “apropiado” - que é o jeito tradicional e embolorado de ser que vai adiante por inércia. Chega a hora em que uma garota precisa falar por si mesma e defender quem é.

Vamos dizer a verdade. Este é o momento de encarar o próprio mundo interior, não sonhos e fantasias, mas o real, verdadeiro e poderoso mundo interior, que clama sua existência e sua própria lógica. Sem fazer isso, a única escolha que uma mulher tem é o de encaixar-se em papeis pré-estabelecidos e desistir de sua unicidade.



colagens de Adriana Peliano sobre fotografias do filme do Tim Burton


Alice, que é esquisita o suficiente para seguir o coelho/sua imaginação, começa sua jornada. O processo consiste em dois aspectos interconexos: a descoberta de quem é e o tornar-se corajosa. Quem ela é significa o que ela sempre foi mas perdeu ou esqueceu por causa da ocorrência de crescer num ambiente social onde é dito às crianças como devem pensar, comportar-se e sentir. Na educação tradicional (seja na família que na escola), desenvolvimento coincide com ser formatados em moldes pré-determinados dando pouca atenção ao que a criança é dentro de si mesma. Os papeis sociais são lentos assassinos a sangue frio.

O filme mostra a dúvida a respeito de Alice: é ela a verdadeira Alice ou somente uma impostora? Este é a idéia principal como é nossa questão central na vida: somos reais? Ou só palhaços fingindo ser aquilo que exibimos a todos? Somos verdadeiros e confiáveis? Vamos conseguir?

Para ajudar Alice a encontrar a si mesma, a história desdobra-se entre medo e compaixão. Mais e mais, Alice vai se dando conta que depende dela a salvação de seus queridos, primeiro de todos o Chapeleiro Louco - a representação das idéias malucas que ela andou chocando por toda sua vida. O Chapeleiro Louco é seu Animus, que pôde existir tão colorido e imprevisível graças ao apoio do pai de Alice. E Alice precisa salvá-lo.

Isto lembra-me um sonho que eu tive nos meus primeiros anos de análise pessoal. Tinha cerca de 18 anos na época. O sonho começa comigo conversando com um rapaz perto de um carro. Depois o sigo para dentro de um edifício. Encontro-me num apartamento em andar alto, onde vive uma família normal, comum. Descubro que há um homem louco trancado no banheiro. Ele tem sido mantido lá há muito tempo. O banheiro é o lugar onde nos limpamos e descarregmos as partes de nós não quistas. Liberto o homem. Ele vai a uma janela próxima que está aberta. Ficamos lá e eu olho para ele. Ele fixa a distância, daí pega um telescópio e olha além do mar, muito além. Esta era sua loucura: ele podia ver além das interpretações e compreensões da vida superficiais. Sua vista é profunda e não convencional. Como sabemos, esta visão é altamente desconfortável para aqueles que preferem “manter quieto”, e temem perguntas.

Salvar o Chapeleiro Louco significa, para Alice, comprometer-se consigo mesma e com a tarefa que ela tem adiante: soltar sua vida de qualquer pensamento julgador. E aqui entra a diferença entre a Rainha Vermelha e a Branca. A primeira é o aspecto negativo do arquétipo da mãe, a mulher patriarcal que inflacionou sua cabeça com idéias repetitivas. Ela impõe dogmas, crenças não-questionáveis a suas crianças e a todos que estiverem à sua volta. O resultado é gente falsa e covarde. Por causa dela, o Chapeleiro é Louco e todo Animus Criativo vive trancado nos banheiros das casas das famílias respeitáveis. A Rainha Vermelha representa a consciência coletiva, com inteligência tão encolhida quanto inchados são seus pensamentos manipuladores. Ela também mostra belamente a ambiguidade do amor. Em nome do amor, escorreu sangue nas guerras e lágrimas no desespero.

A Rainha Branca, do outro lado, é simplesmente a Bruxa que desafia a histórica idéia patriarcal sobre bruxas vestidas de preto e sendo más. Ela é o Feminino não submetido à lógica patriarcal. Foi posta de lado, não destruída, mas vive num mundo separado. É aqui que Alice encontra seu tamanho certo - nem muito reduzida, nem muito inflacionada -, e suporte. Aqui é a terra que dá raízes à Nova Mulher.

Chegar à Rainha Branca não é suficiente. Falta lutar contra o monstro. Esta é uma luta real que toda mulher tem que assumir se quiser seguir sua alma. Enquanto ato real no mundo, este requer coragem. Para vencer o monstro Alice precisa da espada. Espadas são o símbolo do pensamento discriminador, uma das coisas mais preciosas que há. Sem ele, a coragem é vaidade e cegueira.

Uma garota pode instintivamente rejeitar uma situação como perigosa para sua personalidade. Entretanto, uma mulher deve ir além disso, ela precisa saber porque ela não gosta a fim de poder tomar as decisões apropriadas. Esta é a espada ao trabalho: ela distingue e separa. Torna sentimentos fortes e obscuros em idéias afiadas e em límpida visão acerca da vida. Assim fazendo, Alice encontra sua identidade e a filosofia de sua existência.

Com esta espada Alice luta contra o monstro. A face feia da consciência coletiva que impõe papeis e valores, que tenta moldar e julgar, diminuir e barganhar, manipular e destruir a criatividade. A luta com espada é diferente daquela com a clava, como as que Hércules fazia golpeando de todos os lados como um maluco (não é uma coincidência que ele ficou realmente louco numa ocasião). A espada representa uma luta sofisticada e consciente, baseada na inteligência e que também exige coragem e determinação.

Golpe final, “E corto tua cabeça,” diz Alice, baixando a espada no longo pescoço do monstro. A batalha está vencida. Agora ela está livre. Para que? Precisamente, livre de dizer não aos papeis tradicionais e livre para dar início à jornada de sua vida. Única, preciosa e totalmente individualizada. E aqui, a metamorfósis está completa.

Conheça o blog da autora AQUI


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30 May 2010

GO ASK ALICE - sobre a Alice de Tim Burton



Quando a lagarta pergunta para Alice quem ela é, a menina não sabe responder depois de ter se transformado tantas vezes naquele dia. Quando Alice vê o livro que sua irmã estava lendo, não consegue entender para que serve um livro sem figuras e nem diálogos. Com figuras, diálogos e transformações se fez a história de Alice, uma viagem que partiu da Inglaterra vitoriana, atravessando o futuro como um vórtice de novos tempos.




Alice já foi a menina dos sonhos, criança ideal revelada nas fotografias de Carroll e nos seus desenhos de inspiração pré-rafaelita (1862). Nas ilustrações clássicas de Tenniel (1865 / 71) alcançou a sua representação icônica e essas figuras se tornaram para sempre referência básica e porto seguro.



Alice Liddell por Lewis Carroll


Página do manuscrito das "Aventuras de Alice no Subterrâneo" com ilustrações de Lewis Carroll



Alice por John Tenniel

Acordou do sonho dentro de outro sonho e se tornou um pesadelo sombrio nas cores soturnas de Rackham (1907). Foram muitos pesadelos desde aquele, chegando ao delírio da serial killer de Alice McGee (2000). Os espelhos de Balthus (1933) e Nabokov (1955) revelaram a sexualidade latente de nossa heroína, em dialogo com as ambigüidades encontradas na troca de olhares entre Carroll e Alice Liddell.


Alice por Arthur Rackham


Alice American Mc Gee

Alice dans le miroir por Balthus

Alice teve fantasias oníricas com os Surrealistas e pulou corda entre os sonhos transbordantes de Salvador Dali (1969). Grace Slick na música White Rabbit (1967) da banda Jefferson Airplane cantou a viagem psicodélica da menina e nos convidou a chamar Alice entres pílulas e cogumelos e alimentar a nossa cabeça. Não conheço outra menina de 7 anos tão viajada, entre tantas figuras, filmes, canções, encenações, representações, desdobramentos e proliferações, em sua transformação constante e seus diálogos múltiplos com diversas artes.


Alice por Salvador Dali


Fui assistir ao filme do Tim Burton seguindo esse labirinto. Não busco fidelidade mas potência de criação. Alice é pura transformação e multiplicidade. E o filme começou. Apesar de infinitamente apaixonada por Alice, não consegui me divertir. O filme, no mínimo, é muito chato. Gosto da atriz que faz a Alice, como acho que tinha potencial a sua atitude independente e questionadora, com lances feministas. Gosto também do filme apresentar um contraponto sombrio em relação aos esterepótipos açucarados, resgatando uma linhagem de ilustradores, que apartir de Rackham se aventuraram no pesadelo e não apenas no entretenimento.

O cenário, o figurino e a direção de arte revelam momentos de poesia e encantamento. O mais legal é quando Alice cai no poço e de repente, num jogo de inversões inusitadas, vai parar no teto de cabeça para baixo, com um desdobramento surpreendente. Sua chegada no país das maravilhas também é lúdica e mágica. Entretanto, o filme deixa de lado o humor e a reflexão do livro, em direção às cenas de ação e batalha. Claro que um pouco para justificar os efeitos do 3D já que diálogos inteligentes não causam impacto no virtuosismo da imagem.


Svankmajer
 
Entretanto, o filme quase nada tem a ver com a originalidade de Alice, além dos personagens e frases soltas do livro inseridos em outro contexto. Não cobro fidelidade. Minha Alice favorita é a do  Švankmajer (1988), louca, soturna, estranha, quase sem palavras, num livro que é pura lógica e jogo de linguagem. Poderia ser uma deturpação, mas não é, pois mergulha no inconsciente do personagem em seu rito de passagem, com seus medos, angústias do crescimento, sexualidade nascente.


Jonnathan Miller

Como ilustradora de Alice alicedélica e alicinada, gosto de versões que subvertam uma visão açucarada e reducionista dos livros de Alice. Nesse sentido a outra grande contribuição do cinema para o imaginário de Alice é a de Jonnathan Miller (1966). Sua Alice é melancólica, emburrada, triste, uma menina em crise, como é a Alice do livro. A experiência do país das maravilhas é essencialmente uma experiência de desconforto em relação a si mesma e um mundo sem sentido. É claro que Alice é um convite à imaginação e ao sonho, mas sem sombra de dúvida não é um sonho feliz.

No filme de Miller não existem fantasias nem personagens caricatos e infantilóides, com cara de mascote de parque de diversão. Todos os personagens são humanos e o filme é em preto e branco, dando um contraponto a colorida e festiva Alice do Disney. Os personagens humanos revelam justamente em que medida os personagens de Carroll são críticas mordazes aos valores e comportamentos da Sociedade de sua época. São também representações dos tipos humanos que pertenciam a essa sociedade. Dessa forma, tal como no filme de  Švankmajer, tudo aquilo que se distancia do livro é feito para ampliar a nossa visão da obra, ao contrario do desvio óbvio de Tim Burton, que se perde de Alice ao invés de desafiá-la.

A Alice do Tim Burton se esvazia em clichês de filme de fantasia. Podia ser Nárnia aqui, Senhor dos Anéis acolá, os personagens parecem deslocados, vindos de outras histórias e sem saber por que estão ali. Já disseram por aqui numa leitura inconseqüente que Alice se tornou uma espécie de Joana D’arc. Mas o filme é essencialmente maniqueísta, enquanto a Alice de Carroll não tem moral, e essa foi uma de suas grandes inovações em relação à literatura infantil do período vitoriano. Enquanto Carroll conseguiu subverter as regras e convenções da rígida e repressora sociedade vitoriana, Tim Burton volta às lições de moral e o confronto comportado entre o bem e o mal.

Tim Burton

Em função disso, os personagens são caricatos e lineares. A Alice é mais adulta e independente, mas perde as angústias e os conflitos da Alice original que a tornam tão fascinante. A Alice de Carroll, ao invés de ver toda a sua aventura como parte do próprio sonho como no filme de Tim Burton, tem medo de na verdade não passar de um sonho de outra pessoa. Sua identidade está constantemente em cheque. No filme, seu perfil de heroína é muito mais linear. Creio que o conflito da Alice de Burton é bastante revelador nesse sentido: será que é a mesma Alice de antes que está retornando ao pais das maravilhas? Alice na verdade já retornou ao pais das maravilhas muitas e muitas vezes, sempre com uma nova cara. Alice é mesmo mutante e metamórfica, mas por que então insistimos em cobrar que ela seja a “nossa” Alice, ou a Alice de Lewis Carroll? Ao mesmo tempo me pergunto se já Alice muda sempre, isso significa que todas as mudanças são igualmente válidas? Qual é o limite entre se transformar e se perder? Quem sou eu no mundo? perguntou Alice. Essa ainda é a grande questão?

Expectativas só atrapalham. Mas é importante lembrar que se esperamos demais foi porque também prometeram demais. O filme poderia ser uma releitura radical da Alice vitoriana, inserida em nosso mundo em diversas crises de sentido. Alice múltipla e plural é o sujeito contemporâneo em devir louco, questionando todas as identidades fixas. Ao criar uma outra história, Tim Burton se lançou no poço. Mas ao invés de encontrar a reinvenção que podíamos esperar dele, encontrou clichês e estereótipos. Não soube ousar, e ouso dizer que quando leu, não gostou de Alice para fazer tanta questão de contar outra história que ainda tem muitas figuras, mas muito pouco dialogo com tudo que Alice conquistou em nossas mentes, corações e sonhos. Alem de não fazer pensar, nem consegue divertir. A viagem de auto-reconhecimento de Alice, se torna no filme uma viagem de alienação, o nonsense vira vazio.

Entretanto agradeço ao Tim Burton e à Disney com todo seu investimento no marketing do filme, que fortaleceram de forma nunca vista, a presença de Alice no imaginário contemporâneo. Não pelo que ele responde, mas principalmente pelo que pergunta. Da nossa insatisfação podem surgir novas possibilidades criativas e existenciais. Com o filme tivemos a chance de ler o livro de novo, pesquisar imagens com diferentes linguagens, produzir novas visões em diferentes artes, compartilhar interesses, encontrar outros amantes da obra, nos emocionar, descobrir novidades em lançamentos de versões menos conhecidas da obra e enfim mergulhar, cada um ao seu modo, nesse mundo emocionante que ainda nos desafia a novas aventuras, já que a pergunta da lagarta nunca encontrará respostas pré-fabricadas.



10 May 2010

Go Ask Tim Burton





Elena Kalis



Adriana Peliano
Translation Daniela Carvalho


When the caterpillar asks Alice who she is, she does not know how to answer, after changing herself so many times in that very same day. When Alice sees her sister’s book, she can not understand “what is the use of a book without pictures or dialogues?”. With pictures, dialogues and all kinds of transformations a story can be created for Alice. A story that came from a Victorian England going through the 20th century until our present days.



Alice has already been the dream child, the perfect kid, who has been shown through Carroll’s pictures and in his inspirational drawings Pre-Raphaelite (1862). Tenniel’s classical illustrations (1865 / 72) had achieved its iconic representation and also had become a basic reference and a safe path to everyone.




Lewis Carroll



Lewis Carroll



John Tenniel


Alice woke up from a dream inside a dream and had become a dark nightmare in Rackham’s illustrations (1907). It has been lots of nightmares since that one, reaching the insanity of the serial killer Alice McGee (2000). Balthus (1933) and Nabokov’s mirrors (1955) showed us a latent sexuality from our heroine, in dialogues with ambiguities that can be noticed in those eye-contact moments between Carroll and Alice Liddell.


Arthur Rackham


Alice Mc Gee


Balthus


Alice had oneiric fantasies with the Surrealists and skipped rope among Salvador Dali’s overflowing dreams (1969). Grace Slick in White Rabbit’s song (1967) played by Jefferson Airplane, sang a psychedelic trip of a girl and invited us to call Alice among pills and mushrooms just to feed our heads. I do not know another seven-year-old girl who has traveled throughout so many kinds of pictures, movies, songs, plays, new representations, developments and proliferations, in all her constant changing and her multiple dialogues with several kinds of arts.



Salvador Dali


I went to watch Tim Burton’s movie with all this background. I am not that kind of person who claims fidelity to the original work. Alice is transformation, multiplicity. And the movie began. Despite being extremely in love with Alice, I could not enjoy the movie. The movie, itself, is very boring. I like the actress that plays Alice, as in the same way, I think her independent and questioner attitude with a feminist aspect had a great potential. I also like that the movie presents a dark counterpoint related to the Disney classic one, bringing back the other part of illustrators. Such as Rackham, they tried another path, not only the childish enchantment, but also, the dark-nightmare one.

The scenery, the costume design and the art direction show us charming and poetry. The most fascinating part is when Alice fell into the hole and, all of a sudden, in a kind of unusual and inverted game, she stops on the ceiling upside-down, with an amazing development. Her arrival in wonderland is also magic and ludic. However, the movie put aside the “mood” and the “reflection” from the book, going directly into action and battle scenes. Of course, that explains the 3D effects, which could not be made by smart or long dialogues.


Nevertheless, the movie has nothing related to Alice, besides its characters and some free quotes from the book put in the movie in another context. As I said before, I am not the kind of person who claims fidelity to the original work. My favourite Alice is the one from Svankmajer (1988), she is crazy, weird, speechless, dark, a movie that we can only find logic and language games. It could have been a disfigurement, but it is not. And, it is not, because, it gets down into the character unconscious during all her passages / moments, with her fear, her growth anxiety and her sexuality. The discussion is not about the movie being faithful or not to the book, but it is about having an important contribution.

 
Svankmajer
 
  As an Alice illustrator who has been studying Alice with love and passion, I like all the versions that change the sweet and reductionist Alice from the books. In this way, another great contribution from the movies to the Alice’s imaginary is the Jonnathan Miller’s one (1966). His Alice is melancholic, grumpy, sad, a girl living a crisis, just like the Alice from the book. The experience from wonderland is essentially an uncomfortable experience in relation to herself and a non sense world. Of course, Alice is an invitation to dream and imagine, but with no doubt it is not a happy dream.



Jonnathan Miller


In Miller’s movie there are no fantasies, or childish characters, which would look like puppets from an amusement park. All his characters are human beings and it is a black and white movie, which is an opposite view from the colourful and joyful Alice from Disney. The human characters show exactly in which way Carroll’s characters reveal his cutting remarks to all the values and behaviours from his Society. They also represent, the “kind of person” that used to belong to that society. Therefore, as in Svankmajer’s movie, everything that goes far from the book has a special reason, it is just to open up our view from the book, which has the opposite meaning in Tim Burton’s, who has lost Alice, instead of daring her. Tim Burton’s Alice loses itself in fantasy film clichés. There is a little bit of Narnia here, a little bit of Lord of the Rings there, and the characters seem to be out of place, coming from other stories and not knowing why they are there. It brings stereotypical patterns from the journey of the hero. It has been said here in an inconsequent text that Alice has become a kind of Joan of Ark, but the movie is essentially Manichaean, Carroll’s Alice has no moral, which was one of its greatest innovations regarding children’s literature of the Victorian period. While Carroll was able subvert the rules and conventions of the strict and repressive Victorian society, Tim Burton returns to the moral lessons and the orderly confrontation between good and evil.

Owing to this, the characters are burlesque and linear. Alice is more adult, but loses the anguish and conflicts of the original Alice that make her so fascinating. Instead of seeing her entire adventure as part of her own dream as in Tim Burton’s film, Carroll’s Alice is actually afraid of being inside the dream of another person. Her identity is constantly questioned. In the film, her role as a heroine is much more linear and obvious. I believe that the conflict of Burton’s Alice is very revealing in this sense: is she the same Alice who is returning to Wonderland? Alice has in fact returned to Wonderland many times, always with a different face. Alice is truly mutant and metamorphic, but why do we continue to demand that she be “our” Alice or Lewis Carroll’s Alice? At the same time I ask myself: if Alice is always changing, does that mean that all changes are equally valid? Where is the limit between transforming and losing one’s identity?
 
Expectations only get in the way. Nevertheless, it is important to remember that if we expected too much, it was because too much was promised. The film could be a radical re-reading of the Victorian Alice, inserted in our world and also in search of a new sense. A multiple and plural Alice questioning all fixed identities. In creating another story, Tim Burton threw himself in a well, but instead of the his expected reinvention, he found Disney-like clichés and stereotypes. He didn’t dare to dare, and I even go so far as to say that if he read the book, he didn’t like Alice. Why else would he go out of his way of telling another story that still has many figures but very few dialogues, with everything Alice conquered and represents in out culture? It seems that Tim Burton got tired of Alice along the way and decided to talk about something else. Besides being mentally unchallenging, the film does not even provide a good time. Alice’s self-knowledge journey becomes, in the film, an alienation journey, and the nonsense becomes senseless. However, in the end I must thank Tim Burton and Disney for investing in the marketing of the film, which strengthened the presence of Alice in the contemporary, collective imagination as never seen before. It is not about what the film shows, but what it does not show. New creative and existential possibilities may arise from our insatisfaction. With the film, we had the chance to read the book once again, research images with different languages, produce new visions in different arts, share interests, find other Wonderland lovers, feel emotions, discover new items such as less-known versions of the book, and finally dive, each person in his or her manner, into this absorbing world that still challenges us for new adventures, since the caterpillar’s question will never be answered.



Elena Kalis