@anacolletechalfun
A ALICE
NARRADOR: O começar do começo
O reavivar do sentido
Que por mais insano mente
Se pareça
Ao rodar
Ao contar
O jogo se revela
Brincando
Como em uma grande roda gigante
Se fechando em círculos
Cada vez mais redundantes,
Rebuscantes
Tudo a procura
Do sentido
Escondido na imutabilidade inflexível do destino.
Neste momento Alice pensou:
ALICE:Ação e reação
Como um grande amálgama da construção?
Modelos desnecessários
A se seguir
Que se impelem
Pausadamente em cada mente
Determinando
Guiando
Construindo
Evocando
ALICE:Cabeça evidentemente grande demais
Pés evidentemente pequenos demais
NARRADOR:Sugere Sr. Tenniel
Replica Sr. Carroll
O que acha futura, presente e já passada Alice?
ALICE:Só falta moldar, dobrar, engomar e guardar.
NARRADOR:Oh Carrrol!
Bem tu imaginaste
O retrato da linda heroína
ALICE:Amorosa como um cão
E gentil como uma corça
NARRADOR:Mas, mesmo para ti
A dúvida relampejava
Somente para com os ilustres?
Para com os grotescos?
Pequenos? Grandes?
Reis? Lagartos?
Pode o criador almejar a criatura?
Pode o criador incitar a criatura?
Pode o criador vivificar a criatura?
Tendo ainda Alice
Respingado um gozo de vida
Onde pecado e dor ainda são nomes
Quando de repente
Um coelho branco de olhos cor de rosa
Passou correndo por ela dizendo:
ALICE(como o coelho):Vou chegar atrasado demais
NARRADOR:Nisto guardou o seu pomposo relógio
Dentro de seu imaginário bolso
Dentro de seu permanente colete
E num piscar de olhos
Quem quiser que meça
Se meteu a toda pressa
Numa grande toca de coelho
Debaixo da cerca.
ALICE:Não! Não! Não!
E que menininha ignorante vão achar que sou
Convém perguntar nada
Talvez eu veja o nome
Escrito em algum lugar
NARRADOR:O que oscila são os modos de
ALICE:Modos, Nodos, Engodos
Modos, Nodos, Engodos
ALICE(Reflexão):Lembro de ti Alice
NARRADOR:Neste instante
Como não sabia responder a nenhuma pergunta
O jeito como as fazia não tinha nenhuma importância
ALICE:Ah! Como queria ser ti Alice!
Isso de nada adiantaria sem meus ombros.
NARRADOR:Então? Quem sou eu?
ALICE:Primeiro me digam
Aí se eu gostar de ser essa pessoa
Eu subo
Se não, fico aqui embaixo
NARRADOR:Até ser essa outra pessoa.
Alice, abriu a porta que dava para uma pequena passagem
Por dentro do telescópio
Avistou o possível
ALICE:Beba-me
NARRADOR:Neste instante ela lembrou-se de
Modos, Nodos, Engodos
Modos, Nodos, Engodos
NARRADOR(apavorado):Oh! Desculpe-me!
Desta vez o camundongo estava ficando todo arrepiado
A certeza de que devia estar realmente ofendido
Nós não falaremos mais
ALICE:Se você prefere
NARRADOR:Nós, é claro!
ALICE:Não me faça ouvir de novo.
NARRADOR(fala para Alice a provocando, ironicamente):Á defesa da muralha
Que inculta todos os mistérios
Todos dizeres
Que não devem ser libertados
Todos os viveres
Implantados
ALICE (desesperada)Á construção! Á construção!
Salvem à construção
Alice(enojada)Vinha novamente o coelho a bradar
No que respondeu a duquesa
Alice(ironicamente)Sou mais velho que você e devo saber mais.
ALICE:Preciso tomar um fôlego
Meus pés não tocam o solo
E minha cabeça não submerge.
NARRADOR:Oh! Divina Alice
O vulcão vem à tona
Range, Tange
Efervesce
As larvas por vezes
Sobressaem
As percepções multiplicam
Cores totais
Azul, Amarelo, Vermelho, Roxo
ALICE (triste)Os olhos doem
Retraem
NARRADOR:Como eu queria ser ti, Alice
Dona da chave de ouro.
NARRADOR(para o público):Era o coelho branco caminhando de volta
Devagar
Ansioso
Olhando para todos os lados
Como se tivesse perdido alguma coisa
Alice sentira-se empurrando uma grande roda
Que a medida que rodava
Grudava seu corpo
Com um tipo especial de cola.
Já viu essa cola?
A imperceptível?
ALICE:Acho que eles não deixariam a Dinah ficar lá em casa
NARRADOR:Se ela começasse a dar ordens desse jeito.
ALICE:Perde-se as luvas brancas de pelica e o leque
NARRADOR:Já amedrontava Carroll
ALICE(com temor)Crescer e diminuir
Alice:E à Alice?
NARRADOR:Oh! Divina Alice
Patina no gelo
Não importa a casa
E sim quais tijolos
Irá colocar
ALICE(para o público)Entrei sem bater e corri escada acima
Com muito medo
De dar de cara
Com a verdadeira Mary Ann
NARRADOR:Como querer a constância
Se o segundo passado já
ALICE( súbito grito):Não volta mais
NARRADOR:Ah! Alice! Como queria ser ti!
ALICE:Não se lembra das coisas como antes?
ALICE(se referindo ao narrador e falando para o público):
Não fica do mesmo tamanho por dez minutos seguidos?
Alice ( neste momento várias ações físicas como se cuidando de um bebê e falando docemente)
A lagarta aconselhou
Vem crisálida
A
rrebenta o casulo de seda
A seda é tão macia
( a fala fica agressiva)Adormece
( mandando chega a bater no bebê)E apenas sonha com a borboleta
(volta ao normal)A lagarta disse isso
Após fumar o seu narguilé( uma grande risada)
NARRADOR:E Alice inspirou a fumaça
Oh! Alice! Como queria ser ti!
Desconcerta!
Desconstrói!
ALICE ( apavorada)Onde esta ti, Alice?
(como se ouvisse algo):Eu estou aqui
Por favor tem alguém aí?
Não! Eu não quero mais chá!
Já chega! (gritando): Eu disse já chega!
NARRADOR:E a lebre de março não consegui encontrar
Nada melhor para dizer:
Era manteiga da melhor qualidade.
ALICE:Falta algum ingrediente?
NARRADOR:Não!
ALICE:Então por que não tomamos o chá?
NARRADOR:Oh! Alice
Se lembra de tudo?
Quando era apenas um jogo de croqué?
E o gato de cheshire?
Ás vezes se fazia
A boca
A orelha
Os ohos
Ás mãos
ALICE:E logo a rainha gritava
( repete-se esta frase com várias intonações):Cortem a cabeça!
NARRADOR(como cicerone):Novamente os ingredientes
Sirva-se
De pimenta a melado
Você pode fazer a sua
Sopa de tartaruga falsa
Oh! Alice
O que fazes com as canções?
Lindas mutações!
Como ages?
ALICE:E você como reages?
Ignora a tartaruga
Soprepõe-se ao Grifo
NARRRADOR(Zombando): Só mesmo ti Alice.
Neste momento os dois entram em uma grande ação física como gato e rato.
NARRRADOR: (fingindo ser doce):Não! Não chora Alice
ALICE:Sim! Deves chorar Alice
NARRADOR:Se exalta Alice
ALICE (apavorada): O vulcão vem à tona
NARRADOR:Range, Tange
Efervesce
ALICE:As larvas já se sobressaem
As percepções multiplicadas
Cores já unidas
O telescópio abrindo o branco e criando o preto
NARRADOR:Os olhos ainda doem?
ALICE:Retraem mas abstraem
NARRADOR (Com muita raiva):Como eu queria ser ti Alice!
Dona da chave de ouro!( totalmente irônico)
Não se preocupe Alice
Se no dia de seu julgamento
ALICE:Não acho que eles deixariam a Dinah ficar lá em casa
NARRADOR:Se ela começasse a dar ordens desse jeito.
ALICE:Agarre-se a seu telescópio
NARRADOR( Se justificando a alguém):É tudo fantasia dela.
ALICE:Não tem problema nenhum.
Salta em sua cama de elástico
NARRADOR:De que adianta um cortejo
Se todos tivessem de ficar de bruços
Sem poder vê-lo?
Oh! Divina Alice
Seja ti!
ALICE:Se eu não levar essa criança comigo
Com certeza , vão mata-la
Qualquer dia desses
NARRADOR:E Alice abriu a porta que dava para uma pequena passagem
Terminando com o sorriso que persistiu algum tempo depois
Que o resto de si fora embora.
ALICE (gritando desesperadamente):Alice? Oh Alice?
Onde está ti?
Alice?

