2 September 2009

Jabberwocky in Portuguese

Versões do Jabberwocky em português.
Jabberwocky in many languagens HERE

JABBERWOCKY
Lewis Carroll

(from Through the Looking-Glass and What Alice Found There, 1872)



Twas brillig,and the slithy toves

Did gyre and gimble in the wabe:

All mimsy were the borogoves,
And the mome raths outgrabe.

Beware the Jabberwock, my son!

The jaws that bite, the claws that catch!

Beware the Jubjub bird, and shun

The frumious Bandersnatch!

He took his vorpal sword in hand:

Long time the manxome foe he sought
So rested he by the Tumtum tree,

And stood awhile in thought.

And, as in uffish thought he stood,

The Jabberwock, with eyes of flame,

Came whiffling through the tulgey wood,

And burbled as it came!

One, two! One, two!
And through and through

The vorpal blade went snicker-snack!

He left it dead, and with its head
,
He went galumphing back.

And, has thou slain the Jabberwock?

Come to my arms, my beamish boy!
O frabjous day! Callooh! Callay!
He chortled in his joy.


Twas brillig, and the slithy toves
Did gyre and gimble in the wabe,
All mimsy were the borogoves,
And the mome raths outgrabe.


Jabberwock por Adriana Peliano, 1998.

Traduções | Translations




AVENTURAS DE ALICE
Tradução e organização de Sebastião Uchôa Leite.
Tradução do Jabberwocky por Augusto de Campos.
Ilustrações originais de Lewis Carroll e John Tenniel.
São Paulo: Summus, 1980.

JAGUADARTE

Era briluz. As lesmolisas touvas
roldavam e reviam nos gramilvos.
Estavam mimsicais as pintalouvas,
E os momirratos davam grilvos.

"Foge do Jaguadarte, o que não morre!
Garra que agarra, bocarra que urra!
Foge da ave Fefel, meu filho, e corre
Do frumioso Babassura!"

Ele arrancou sua espada vorpal
e foi atras do inimigo do Homundo.
Na árvore Tamtam ele afinal
Parou, um dia, sonilundo.

E enquanto estava em sussustada sesta,
Chegou o Jaguadarte, olho de fogo,
Sorrelfiflando atraves da floresta,
E borbulia um riso louco!

Um dois! Um, dois! Sua espada mavorta
Vai-vem, vem-vai, para tras, para diante!
Cabeca fere, corta e, fera morta,
Ei-lo que volta galunfante.

"Pois entao tu mataste o Jaguadarte!
Vem aos meus braços, homenino meu!
Oh dia fremular! Bravooh! Bravarte!"
Ele se ria jubileu.

Era briluz.As lesmolisas touvas
Roldavam e relviam nos gramilvos.
Estavam mimsicais as pintalouvas,
E os momirratos davam grilvos.




TRANSLAÇÕES DE BRÁULIO TAVARES


O poema “Jabberwocky” faz parte do livro Through the Looking Glass: é o poema mais conhecido de Lewis Carroll, e o mais assediado pelos tradutores.

A tradução brasileira mais bem sucedida é a de Augusto de Campos, “Jaguadarte”, incluída no Panaroma do Finnegans Wake (Ed. Perspectiva, São Paulo, 1971).

Há uma tradução portuguesa que folheei certa vez, da qual só lembro que traduzia “Jabberwocky” por “Falabaláqueo” (sic).

O livro de Henri Parisot sobre Carroll, na coleção “Poètes d’aujourd’hui” (Ed. Seghers, 1972) traz, além da tentativa em francês do próprio Parisot (“Jabberwocheux”) o texto integral de duas traduções latinas (de M. A. A. Vansittart e de Hassard Dodgson), uma tradução alemã de Thomas Chatterton, e duas versões francesas da famosa primeira estrofe do poema -- uma feita por J. B. Brunius e a outra pelo destemido Antonin Artaud.

Também já tive acesso a outra versão alemã, feita pelo Dr. Robert Scott. Vi-a pela primeira vez no jornal Nurnberger Filmtips (abril de 1978), a propósito da exibição do filme Jabberwocky, dirigido por Terry Gillian; creio ser a mesma versão reproduzida por Douglas Hofstadter em seu livro Gödel, Escher, Bach: an Eternal Golden Braid.

Em 1977 ou 78, esta proliferação poliglota de monstros me seduziu com a possibilidade de somar-lhes mais um. Meti mãos à obra, mas dias depois percebi que o monstruário crescia sem parar: as alternativas de tradução se multiplicavam, e acreditei estar invadindo algum tipo de ritual iniciático, e invocando sem prudência uma criatura ávida por materializar-se. Comecei a ter pesadelos retóricos onde pressentia a proximidade de um ser inextinguível, sempre decapitado e sempre retornante. O resultado foi (para usar um termo empregado pelos irmãos Campos) a “tri-dução” que se segue, que foi publicada há alguns anos no jornal literário Nicolau, de Curitiba, editado por Wilson Bueno.
O mais intraduzível dos poemas rides again. Mas, como nada é intraduzível no Terceiro Mundo...


JAVALEÃO

Rompia a ourora. As lâmbidas golinhas
ao redor do horoscópio inham e viam;
voavam avassouras carranquinhas
e os areados ronconcões tugiam.

“Cuidado, meu filho, com o Javaleão!
A garra sangrenta, a goela hiante!
Foge da Ave-de-Juba, e atenção
ao feraz Dilaceronte!”

Ele empunha sua lâmina alvagume
e vai atrás do Adversáurio;
passa toda a manhã sob a árvore Tantam
pensitivo e soulitário.

E enquanto ele aguarda, deleitado na relva,
o Javaleão, com olhos de fogo,
aparece silvando entre o escuro da selva
e ronca em rouco regougo!

Um, dois! Um, dois! Zás-trás! Zás-trás!
O aço-espada mutila rutilante!
O monstro ali jaz, e a cabeça ele traz
ao retornar galunfante.

“Então tu mataste o Javaleão!
Vem aos meus braços, primogênio invicto!
Oh dia lustral! Campeador! Campeão!”
O régio gozo do pai é infinito.

Rompia a ourora. As lâmbidas golinhas
ao redor do horoscópio inham e viam;
Voavam avassouras carranquinhas
e os areados ronconcões tugiam.



Adriana Peliano


JAVALIGÁTOR

Ao pôr-do-céu, as lindalvas malassandras
giravoltam ao redor do bussolar;
as gogoemas passam, requebrandas,
e os leitontos garrincham sem parar.

“Cuidado, meu filho, com o Javaligátor!
Mandíbula armada e esgarras gigantes!
Evita o Grifo-Voador, sê cauto
com o carnivoraz Tigrante!”

Ele ergueu sua adaga de fio aguçado
para desafiar a Bruta-Fera;
passou o dia junto a um velho pé-de-tunto,
pensamentando, à espera.

E enquanto ele sonha, na sombra e na relva,
o Javaligátor, com olhos ardentes,
emerge das trevas, desliza entre a selva,
enferrugindo entridentes!

Um, dois! Um, dois! E zag-zig-zag!
O ás-da-espada espedaça o gigante!
O corpo morto cai, e com a cabeça ele vai
de volta, galunfante.

“E o Javaligátor, você o matou?
Dê-me um abraço, relâmpade filho!
Oh dia florial! Guerrá! Guerrou!”
Ele exulta, olho-brilho.

Ao pôr-do-céu, as lindalvas malassandras
giravoltam ao redor do bussolar;
as gogoemas passam, requebrandas,
e os leitontos garrincham sem parar.


Adriana Peliano


JARARACORVO

Ao melo-dia, as glabras babalesmas
rodam-moinham no astromante;
tão belicadas são as aventesmas
e os rabichós, perdidos, saltitantes.

“Cuidado, meu filho, com o Jararacorvo!
Caninos mordentes e unhas garrantes!
Corre do Puma-de-Plumas, e do torvo
bicho Lobisonte!”

Ele brandiu o seu sabre pontiagume
e saiu a caçar o Carnificeiro,
e sem medo nenhum, sob um pé de Tuntum
foi repousar, penseiro.

Achando que é cedo, ele espera sem medo
e o Jararacorvo, com olhos de chama,
vem uivando através do trevoso arvoredo,
gorgolejando entre as ramas!

Um, dois! Um, dois! E zupt, e zapt!
Sua espada ferrim talha-retalha!
O monstro cai morto, e a cabeça sem corpo
ele traz galunfante da batalha.

“O Jararacorvo morreu à tua mão?
Pois vem me abraçar, metuendo heroíno!
Oh dia zenital! Roldar! Roldão!”
Ele solfesteja em hinos.

‘Twas brillig, and the slithy toves
Did gyre and gimble in the wabe;
All mimsy were the borogoves
And the mome raths outgrabe.

Ilustrações: colagens de Adriana Peliano sobre John Tenniel.

ALICE ATRAVÉS DO ESPELHO

Releituras em verso de Letícia Dansa.
Ilustrações de Salmo Dansa.
Belo Horizonte: Autêntica, 2008.

Era um monstro Pargarávio
Com cauda longa, pés de pato, unhas que fincam e
dentes que mordem.
Ao catarde, os filhugas e filgaios
Ficavam muito infelizes, pois o terronstro
Furava buracos nas encorros, e os pobhotes
Morriam de medo de que eles destruninhos.
Mas um coramoço apareceu
Com sua espada certeira e finalmente matou o
Pargarávio. Bravo! O coramoço descansou na paz de
Quem tem a certeza do dever cumprido. Ele riu.
A tarde ficou mainda e o solceuvo.



ALICE NO PAÍS DO ESPELHO
Tradução de William Lagos.
Ilustrações originais de John Tenniel. (Inglaterra)
Porto Alegre: L&PM, 2004.

O TAGARELÃO

Era o Assador e os Sacalarxugos
Elasticojentos no eirado giravam
Miserágeis perfuravam os Esfregachugos
E os verdes porcalhos ircasa arrobiavam.

Cuidado, meu filho, com o Tagarelão!
Te morde com a boca e te prende com a garra!
Escapa ao terrível Jujupassarão
E foge ao frumoso e cruel Bandagarra!

Cingiu à cintura sua espada vorpal
E por longo tempo o manximigo buscou
Da árvore Tumtum na sombra mortal,
Em cismas imerso afinal descansou.

E assim, ufichado em seu devaneio,
O tagarelão, com olhos de chama,
Surdiu farejando do bosque no meio:
A gosma supura e a baba derrama!

Um, dois! E dois, um! A lâmina espessa
Cortou navalhando sua espada vorpal!
Deixou-lhe o cadáver e trouxe a cabeça;
Voltou galufando em triunfo total! "

Pois mataste destarte o Tagarelão?
Vem dar-me um abraço, meu filho valente!
O fragor desse dia! O meu coração
Em êxtase canta loução e contente!

Era o Assador e os Sacalarxugos
Elasticojentos no eirado giravam
Miserágeis perfuravam os Esfregachugos
E os verdes porcalhos ircasa arrobiavam.




ALICE: EDIÇÃO COMENTADA

Originais: Annotated Alice, 1960; More Annotated Alice, 1990;
The Annotated Alice: the definitive Edition, 2002.
Tradução de Maria Luiza de X. Borges.
Introdução e notas de Martin Gardner.
Ilustrações originais de John Tenniel (Inglaterra).
Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2002.

PARGARÁVIO

Solumbrava, e os lubriciosos touvos
E vertigiros persondavam as verdentes;
Trisciturnos calavam-se os gaiolouvos
E os porverdidos estringuilavam fientes.

“Cuidado, ó filho, com o Pargarávio prisco!
Os dentes que mordem, as garras que fincam!
Evita o pássaro Júbaro e foge qual corisco
Do frumioso Capturandam.”

O moço pegou da sua espada vorpeira:
Por delongado tempo o feragonists buscou.
Repousou então à sombra da tuntumeira,
E em lúmbrios reflaneios mergulhou.

Assim, em turbulosos pensamentos quedava
Quando o Paragarávio, os olhos a raisluscar,
Veio flamiscuspindo por entre a mata brava.
E borbulhava ao chegar!Um , dois! Um, dois!

E inteira, até o punho,
A espada vorpeira foi por fim cravada!
Deixou-o lá morto e, em seu rocim catunho,
Tornou galorfante à morada.

“Mataste então o Pargarávio? Bravo!
Te estreito no peito, meu Resplendoso!
Ó gloriandei! Hosana! Estás salvo!”
E na sua alegria ele riu, puro gozo.

Solumbrava, e os lubriciosos touvos
E vertigiros persondavam as verdentes;
Trisciturnos calavam-se os gaiolouvos
E os porverdidos estringuilavam fientes.



LEWIS CARROLL - OBRAS ESCOLHIDAS, 2V.

Tradução de Eugênio Amado.
Capa de Claudio Martins.
Ilustrações originais de John Tenniel (Inglaterra), Harry Furniss (Inglaterra) e A.B. Frost (Inglaterra).Belo Horizonte: Itatiaia, 1999.

BESTIALÓGICO

Brilhava o dia, e uma fumaça
No céu girava sem parar;
Palhaços sérios espiavam
Loucos risonhos a cantar.

Cuidado com o Bestialógico!
Se ele te pega é perdição!
Cuidado com a Ave Jujuba
E o terrível Bicho-Papão!

Ele tomou de sua espada
E foi atrás de uma inimiga;
À sombra da árvore Tuntun,
Descansou, coçando a barriga.

E ali ficou o Bestialógico,
Olhos selvagens, chamejantes,
Resfolegando na floresta
Com mil idéias borbulhantes.

Um, dois! Um, dois! Veio marchando.
Ao vê-la ergueu a espada e – zop!
Deixou-a morta e sem cabeça,
Voltando em seguida a galope.

Mas quem morreu? O Bestialógico?
Pois então vem até os meus braços!
Que lindo dia! Tu mereces
Milhões de beijos e de abraços!

Brilhava o dia, e uma fumaça
No céu girava sem parar;
Palhaços sérios espiavam
Loucos risonhos a cantar.



DO OUTRO LADO DO ESPELHO

Tradução de Ricardo Gouveia.
Condensado e Ilustrado por Tony Ross.
São Paulo: Martins Fontes, 1997.

BLABLASSAURO

Brilumia e colescosos touvos
No capimtanal se giroscavam;
Miquíticos eram os burrogouvos,
E os mamirathos extrapitavam.

“Foge meu filho, do Blablassauro!
Boca que morde, garra que agarra!
Fica longe do Ornitocentauro
E do frumioso Bombocarra!”

Nas mãos tomou sua espada vorpal:
Venceria o manxomo inimigo!
Pensaparou ao pé de um Tumtal,
Meditando, ele e seu umbigo.

Em úfia concentração pensava;
E o blablassauro, olhar flamejante,
Do bosque tulgeo, aos bufos chegava
Balouçando o corpo borbulhante!

Zás-trás! Alto a baixo, lado a lado
Corta e pica a lâmina vorpal!
Levando a cabeça do malvado,
Galunfante, voltou afinal.

“Então o Blablassauro morreu?
Vivas! Frabujoso! Quem diria?
Abraça-me, briante filho meu!”
E ele ria de pura alegria.

Brilumia e colescosos touvos
No capimtanal se giroscavam;
Miquíticos eram os burrogouvos,
E os mamirathos extrapitavam.




ALICE NO REINO DO ESPELHO

Adaptação de Maria Thereza Cunha de Giacomo.
Ilustrações de Osvaldo Storni.
São Paulo: Editora Melhoramentos, 1966.

VALENTIA

E foi atrás do inimigo
Levando consigo a espada,
Mas resolveu descansar
Sob a mangueira copada.

Então do bosque surgiu
Um bicho de olhos de fogo,
Mas foi só pegar na espada
E estava acabado o jogo.

De um só golpe ele deu cabo
Do bicho e ficou em paz,
Depois, dando meia volta
Voltou calmo pra trás!

Encontrou seu pai aflito
Que o vendo, ficou contente
E gritou- Meu filho, viva!
Como tens força e és valente!



ALICE NO FUNDO DO ESPELHO

Tradução e adaptação de Oliveira Ribeiro Netto.
Ilustrações de Paulo Amaral.
São Paulo, Editora do Brasil, s.d.

ALGARAVIA

Era o auge e as rolas brilhantes
Pelo ar giravam, giravam.
Palhaços davam pinotes,
Os montes se amontoava.

- Cuidado com a Algaravia,
meu filho, ela morde e arranha!
Bicho papão te carrega,
O Lobisomem te apanha!

Ele de espada na mão
Foi buscar o inimigo...
Junto dum mandacaru
Ficou pensando consigo.

Enquanto estava cismando,
Vem do mato a Algaravia.
Dos olhos saia fogo,
Era brasa que cuspia.

Um dois, um dois, zás-trás,
Num instante ele a matou,
Cortou depressa a cabeça
E pra casa voltou.

- Vem aos meus braços meu filho!
Tu mataste a Algaravia?
Dia feliz! Salve! Salve!
E cantava de alegria.

Era o auge e as rolas brilhantes
Pelo ar giravam, giravam.
Palhaços davam pinotes,
Os montes se amontoava.



ALICE NA CASA DO ESPELHO

Tradução de Pepita de Leão.
Ilustrado por João Fahrion.
Porto Alegre: Edição da livraria do Globo, 1934.

ALGARAVIA

Era o fervor, e as rutilas rolinhas
Girando, o taboleiro afuroavam.
Estavam os truões bem divertidos,
E os cerros patetas se firmavam.

“Cuidado com o Algaravião, meu filho!
Ele morde, e segura até um homem!
Cuidado com o Pássaro Bisnau,
E foge do terrível Lobishomem!”

Ele pegou na espada bem afiada,
Levou tempo, buscando o inimigo ...
Foi descansar ao pé da Bananeira,
E ali ficou, pensando lá consigo.

E enquanto ali estava a matutar,
Lá de dentro do mato vem chegando
O Algaravião de olhos de fogo,
E de longe ele vinha já bufando!

Um, dois! Um, dois! E assim de lado a lado
A lâmina cortante foi rangendo!
Ele matou-o pegou na cabeça,
E de volta p’ra casa foi correndo.

“Tu mataste o Algaravião, meu filho?
Dá-me um abraço! Que glorioso dia!
Que dia glorioso! Viva! Vivôôô!...
Ele também deu vivas de alegria.

Era o fervor, e as Rutilas rolinhas
Girando, o taboleiro afuroavam.
Estavam os truões bem divertidos,
E os cerros patetas se firmavam.




AALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS E ALICE NO PAÍS DO ESPELHO

Tradução e adaptação de Monteiro Lobato.
Ilustrações de Lila Figueiredo.
São Paulo: Editora Abril Cultural, 1972.

Monteiro Lobato preferiu não traduzir o poema.





O BABATROTE


Arde urde: lassidão de torvos,
Revólver-revés na revolta relva,
Os borrogafes iam camuflados e bisonhos,
Com garra: agarre o agá dos ratos garotos.

Guarde-se da gula do babatrote, filho!
Do gole que esgoela, da trova que tranca;
Tema o pássaro TremaTreme
Traia tramóia do Trinca-Trago.

Trave na mão, atravessa a mata
À procura do drástico tremor, e
Chegando à árvore Tripé
Trepida trigueiro o pensador.

A dor? ele pensa, repensa
Fugir? Flagrado! em chamas
Sim, enflamados esses olhos
De baba-chama-trote.

É tarde. Tempo de enfrentá-lo.

Um. Dois. Pata-qui
Três. Quatro. Pata-colá
Com a testa da besta
Finque aqui-isso: no vinco da lança.

Firme! Agora: galope triunfante!

Assassinaste? Com a sina
Da morte, acabaste?
Dó doce sonho de entrega
Desse pai que odeia trevas.

Arde-urde: lassidão de torvos,
Revólver-revés na revolta relva.
Os borrogafes iam camuflados e bisonhos
Com garra: agarre o agá dos ratos garotos.






O JAGUABOQUE


Briarde! briga! as larvas-trovas
Rodopiavam na relva e brilgavam:
Furímbolos iam os papatrigueiros
Gafas em gafieira fumbarelhavam matreiras.

"Filho, fique longe do Jaguaboque!
O da voraz bocanha, da garra que assanha!
Se guarde do pássaro JápJáp, pé de
Vento contra o Bica-e-Descama."

Empunhando seu vorpe punhal
Contra a besta há tanto aprontava,
Ao pé d'árvore por-Tal, premorteia a farsa
Prenhe de reflexão bestial.

Ao ruminar pensamentos-flechas
Jaguaboque lhe desfecha olhares de fogo
Rosnando rosnos res verdejantes
Mostrou a guela barrigulante.

Um, dois. Um, dois. Lá e acolá
Cola e descola na espada-Patapan!
Aqui jaz uma pata...ou a cabeça
da bbesta na ponta da faca? Ei-la!

(derradeira a farsa-triunfo desfarsada)

Tu mataste? O feroz Jaguaboque
Tu mataste? Filho meu, sem dúvida
Es! Pros meus braços! Ande!
Ó dia reinante! Ei! Rei! Júbilo de bile

(do velho que estoura jubileu)

Briarde, briga! as larvas-trovas
Rodopiavam na relva e brilgavam:
Furímbolos iam os papatrigueiros
Gafas em gafieira fumbarelhavam matreiras.







O TAGARELOCA


Era brilíngue e os lítios toves
Davam giros de pião na ciranda:
Mimosas as minhocas marotas
E, miméticos os mindinhos linguéticos.

"Alerta! o Tagaroa no tabaque:
De abas de rebate, tabes de tabefe
Ave! ave que arrebita bíceps,
Bile de bilontra: bricà-brac.

His vorpaline épée got stuck:
In thought...l'énnemi manxiquais?)
Il cherchait...(serait-il martiniquais?)
Le Jabberroque. Tam-Tam eyes flambant!

Came whiffling and burbled, barigoulant.

One, deux/une, two; and through, par le milieu
Sa vorpal glaive fait: snicker-flac!
La bête defaite, back...avec sa tête!
En fête, il rentre gallomphant!"

As-tu tué le Jabberroque?
Viens to my arms, amado filho!
Ó dia frabjola! Calle roque! Callock!
O velho cor-ulula risonho.

Era brilingue e os lítios toves
Davam giros de pião na ciranda:
Mimosas as minhocas marotas,
E, miméticos, os mindinhos linguéticos.



Versão de Yara Azevedo Cardoso

O JAGARROCA

Brilurde, as toupas lubrisensólias
Revolvem piruetando no guano:
Mímeses: os guelabosquiosos
Vermes de mica molecagem.

Guarde-se do Jagarroca, meu filho!
Guela que deglute - grifo! grampeia!
Guarde-se do Pia-Papa; foge
Do furioso Faixa-Garra!

Em punhos, sua espada varapau,
à procura da mortal besta,
Chega à árvore Fa-Tal
Quieto, meditabundo... Ali -

Cabrero, cafuso mundano...Sshh...
Flambando no ar olhares de bofe
Vem bafejando túrgidas bolhas
Ganas de verdejano bafo.

Um. Dois. Entra. Entranha!
Assanha o vorpe varal. Vai!
Vem! A besta jaz; cabeça
Despenca no volteio da lança.

Trança triunfo de volta.

O Jagarroca? O ôco rouco...
Você parou? Filho-rei! iuup! Hurra!
O dia colore gritos: cor-doure!
Arre! Arrebentam os sonhos!

Brilurde: as toupas lubrisensólias
Revolvem piruetando no guano:
Mímeses: os guelabosquiosos,
Vermes de mica molecagem.

HUMPTY DUMPTY EXPLICA O POEMA

(Tradução de Sebastião Uchôa Leite)




Sobre o poema | About the poem

Portmanteau, ou palavra valise, refere-se às palavras que carregam, como uma mala, mais de um significado. Na literatura inglesa, o grande mestre da palavra valise é sem dúvida James Joyce.
A estrofe de abertura do Jabberwocky apareceu pela primeira vez em Mischmasch, um dos periódicos que Carroll escrevia a mão e ilustrava para o divertimento de seus irmãos e irmãs.
Nesse exemplar Carroll interpreta as palavras, o que depois o Humpty Dumpty também faria no livro de Alice através do Espelho.
BRYLLIG (derivado do verbo to BRYL, ou BROIL).“A hora de cozinhar o jantar, isso é, no fim da tarde.”

SLYTHY (composto de SLIMY e LITHE).“Liso e ativo”.
TOVE.Uma espécie de texugo. Tinham pêlo liso e branco, longas patas traseiras e chifres curtos como um veado; alimentavam-se sobretudo de queijo.

GYRE, verbo (derivado de GYAOUR oi GIAOUR, “um cão”)Escavar como um cão.
GYMBLE (donde GIMBLET)“Furar buracos em tudo”.
WABE (derivado do verbo to SWAB ou SOAK).“A encosta de um morro”.
MIMSY (donde MIMSERABLE e MISERABLE).Infeliz.

BOROGOVE.Uma espécie extinta de papagaio. Não tinha asas, seus bicos eram virados para cima e faziam seus ninhos sob relógios de sol; alimentavam-se de vitela.
MOME (donde SOLEMOME, SOLEMONE e SOLEMN).Grave.

RATH.Uma espécie de tartaruga terrestre. Cabeça ereta; boca como a de um tubarão; patas traseiras tão curvadas para fora que o animal andava de joelhos; corpo liso e verde; alimentavam-se de andorinhas e ostras.
OUTGRABE, passado do verbo OUTGRIBE (É conectado com o antigo verbo GRIKE, ou SHRIKE).Guinchado.

Portanto a tradução literal do trecho é:“Era o anoitecer, e os texugos lisos e ativos estavam escavando e furando buracos na encosta do morro, muito infelizes estavam os papagaios; e as graves tartarugas guinchavam.”Provavelmente havia relógios de Sol no alto do morro, e os “borogoves” estavam com medo que seus ninhos fosses destruídos. O morro estava provavelmente cheios de ninhos de “raths”, que saiam correndo e guinchando de medo, ao ouvir os “toves” escavando do lado de fora.
Jabberwocky é provavelmente o mais notável poema do nonsense inglês. Embora não tenham nenhum sentido preciso, as palavras se harmonizam com sugestões sutis. E assim percebe Alice que comenta logo em seguida “parece encher a minha cabeça de idéias, só não sei que idéias são”.
Há uma grande semelhança entre um poema nonsense e uma pintura abstrata. Assim como a moral da Duquesa no pais das Maravilhas: “Cuide dos sons que os sentidos cuidarão de si mesmos”. O jogo de palavras no nonsense podem ser também uma composição de sons, ritmos e palavras como uma composição de cores numa tela.
Jabberwocky já foi traduzido para inúmeras línguas. Martin Gardner afirma existirem mais de 100 versões diferentes em mais de 50 línguas além de ter sido parodiado outras tantas vezes.
Texto adaptado de ALICE: EDIÇÃO COMENTADA

HUMPTY DUMPTY EXPLAINS THE POEM

Chapter VI: Humpty Dumpty

(…) ‘That’s enough to begin with,’ Humpty Dumpty interrupted: ‘there are plenty of hard words there. “BRILLIG” means four o’clock in the afternoon — the time when you begin BROILING things for dinner.’
‘That’ll do very well,’ said Alice: and “SLITHY”?’
‘Well, “SLITHY” means “lithe and slimy.” “Lithe” is the same as “active.” You see it’s like a portmanteau — there are two meanings packed up into one word.’
‘I see it now,’ Alice remarked thoughtfully: ‘and what are “TOVES”?’
‘Well, “TOVES’ are something like badgers — they’re something like lizards — and they’re something like corkscrews.’
‘They must be very curious looking creatures.’
‘They are that,’ said Humpty Dumpty: ‘also they make their nests under sun-dials — also they live on cheese.’
‘Andy what’s the “GYRE” and to “GIMBLE”?’
‘To “GYRE” is to go round and round like a gyroscope. To “GIMBLE” is to make holes like a gimblet.’
‘And “THE WABE” is the grass-plot round a sun-dial, I suppose?’ said Alice, surprised at her own ingenuity.
‘Of course it is. It’s called “WABE,” you know, because it goes a long way before it, and a long way behind it —’
‘And a long way beyond it on each side,’ Alice added.
‘Exactly so. Well, then, “MIMSY” is “flimsy and miserable” (there’s another portmanteau for you). And a “BOROGOVE” is a thing shabby-looking bird with its feathers sticking out all round — something like a live mop.’
‘And then “MOME RATHS”?’ said Alice. ‘I’m afraid I’m giving you a great deal of trouble.’
‘Well, a “RATH” is a sort of green pig: but “MOME” I’m not certain about. I think it’s short for “from home” — meaning that they’d lost their way, you know.’
‘And what does “OUTGRABE” mean?’
‘Well, “OUTGRIBING” is something between bellowing and whistling, with a kind of sneeze in the middle: however, you’ll hear it done, maybe — down in the wood yonder — and when you’ve once heard it you’ll be QUITE content. Who’s been repeating all that hard stuff to you?’ (...)



Humpty Dumpty por Adriana Peliano.





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“Always in search of curious objects, broken toys, bits of things and traces of stories, Adriana Peliano stitches together desires, monsters and fairy tales. Her collages and metamorphic assemblages are magical and multiple inventories, where logic is reinvented with new meanings and narratives, creating language games and dream labyrinths. Everything is transformed to tell new stories that dislocate our way of seeing, inviting the marvellous to visit our world.” “Sempre em busca de objetos curiosos, restos de brinquedos, cacos de mundos e rastros de estórias, Adriana Peliano costura desejos, monstros e contos de fadas. Suas colagens, metamofoses e assemblagens despertam inventários mágicos e múltiplos, onde a lógica do cotidiano é reinventada em novos sentidos e narrativas, criando jogos de linguagem e labirintos de sonhos. Tudo se transforma para contar novas estórias, abrindo portas para o maravilhoso.”