1 September 2009

Ilustrações de Darcy Penteado





ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS
Tradução de Regina Stella Moreira Gomes.
Ilustrações de Darcy Penteado.
São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1967. 
Formato: 21 x 31 cm. 126 pág. 76 ilustrações, cor.
Colagem e Pastel. Técnica Mista.



ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS
Tradução de Monteiro Lobato.
Ilustrações de Darcy Penteado.
Edição Comemorativa.
São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2005.  (1a. ed.)
Formato: 21 x 31 cm. 126 pág. 76 ilustrações, cor.
Colagem e Pastel. Técnica Mista.



The artist knew how to enhance the available expressive resources, combining drawings, words, graphical symbols, textures, scraps of magazine’s images and newspapers. He dialogues with Tenniel's pictures through collage procedures.
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Criadas em 66 pelo artista plástico Darcy Penteado, um ano apos o centenário da primeira publicação de Alice e voltadas predominantemente para o público infantil, as ilustrações apresentaram uma linguagem nova e uma estética bastante singular entre as ilustrações até então realizadas.
Ele foi pioneiro a ilustrar o pais das maravilhas através de colagens. As imagens eram compostas com uma técnica mista, de pastel com colagem, que incluía materiais como jornais e revistas, texturas, palavras, cores, interferências, num jogo de textos e figuras. Sua proposta conversava com a cultura de sua época, as transformações de uma sociedade mediatizada em seu caráter efêmero, na utilização de uma proliferação de signos e informações de procedências diversas. Associando a colagem com elementos gráficos dos quadrinhos, suas imagens de influência pop recriavam as cenas num jogo curioso de releituras e reinvenções da tradição das ilustrações de Alice.





Darcy Penteado


Associando a técnica de colagem com recursos gráficos dos quadrinhos, suas imagens pop apresentam em geral um grande dinamismo e movimento garantidos tanto pela estrutura da composição, pela expressividade do traço, como pela elaboração seqüencial de algumas cenas. Nesse último caso podemos destacar o encontro de Alice com a lagarta, onde aparece em uma única ilustração de página dupla, o momento do diálogo do “Quem é você” e as duas transformações consecutivas de Alice após ter comido os pedaços de cogumelo.




Darcy Penteado


Cabe ressaltar que como artista plástico, Darcy Penteado soube potencializar os recursos expressivos disponíveis, mesclando desenhos, palavras, símbolos gráficos, texturas, colagens de imagens de revistas e jornais. Sem subestimar a inteligência e a sensibilidade das crianças, ele nos lembra que as possibilidades de linguagem abertas pelo texto são bem mais ricas e sugestivas do que uma simples descrição de personagens ou de situações linear e literalmente descritas.




Darcy Penteado



"As gravuras de Penteado distinguem-se bastante das demais. São compostas com uma espécie de técnica mista, de desenho com colagem, que inclui materiais como papel de jornal, de revista, tecidos de várias texturas, lãs, barbantes, telas, lápis coloridos, hodrocores e crayons, entre outros. Curiosa é a elaboração do rosto da Duquesa com frutas e olhos semelhantes a... azeitonas pretas?, que lembram o estilo do renascentista Giuseppe Archimboldo (1527 - 1593). Chama a atenção, também, o fato de que uma das mãos da Duquesa é a mão de um homem, e que, no lugar do rosto da Cozinheira, há a figura de um homem de chapéu, formado com colagem de papel, e que as duas mulheres usam sapatos masculinos".
Nilce Maria Pereira


O PRINCÍPIO DA COLAGEM


A colagem é um procedimento poético efetuado com elementos extraídos de desenhos impressos em livros, revistas, jornais, fotografias, figuras de propaganda e retalhos visuais que são incorporados ao quadro de maneira minuciosa. Herdeira direta do surrealismo, a colagem é fruto da aproximação entre realidades distantes, criando uma visão alucinatória e contraditória quando comparadas a realidade convencional. O caráter enigmático e ao mesmo tempo realista do sonho encontra na fotomontagem um terreno propício, numa lógica que aponta para outro sentido, que deve ser buscado entre fragmentos e associações inesperadas.

O princípio da fotomontagem juntamente com a colagem tornou-se um projeto poético e político nas vanguarda históricas, um dos grandes legados da arte moderna. A colagem no surrealismo teve expressão máxima na obra de Max Ernst, que desenvolveu a concepção surrealista da collage a partir da famosa imagem de Lautréamont do encontro de um guarda chuva e uma máquina de costura sobre uma mesa de dissecação, como o “acoplamento de duas realidades aparentemente inacopláveis sobre um plano que aparentemente não lhes convém.”


Max Ernst. Colagem de “Une Semaine de Bonté”, 1934


No dadaísmo Raoul Hausmann foi o provável inventor do procedimento por ele batizado de fotomontagem. A fotomontagem no contexto do dadaísmo berlinense surgiu como uma proposta política provocativa e iconoclasta, através do emprego livre de peças da realidade visando ao ataque político. A fotografia comparecia como uma imagem ready made, que era colada junto a recortes de jornais, revistas, letras e desenhos, a fim de construir uma imagem caótica e explosiva, num desejo de destroçar a imagem do mundo, desmascarado em sua absurda falta de sentido. Introduzindo simultaneamente diversos pontos de vista e diferentes níveis de perspectiva na representação plástica, as fotomontagens dadaístas desmontavam um mundo de sistemas despedaçados, arrancando do caos dos tempos de guerra e revolução uma imagem nova, tanto visual quanto intelectual.


Raoul Hausmann. Tatlin chez lui, 1920. 


O construtivismo russo também adotou os procedimentos da fotomontagem dentro do contexto revolucionário. Durante a década de 20 ampliou-se cada vez mais o uso da fotomontagem combinado a novas técnicas tipográficas no campo da publicidade e da propaganda política para pôsteres, capa de livros, postais e ilustrações. Entre os artistas do construtivismo russo, destaca-se Alexander Rodchenko, cujas fotomontagens e cartazes são tão fantásticos quanto suas fotografias, onde rompe com os limites da percepção comum. Em 1923 fez uma série de fotomontagens para ilustrar o poema “Isto” de Mayakovsky. Centradas na imagem de Lily Brik, amante de Mayakovsky, as fotomontagens, assim como o poema, promovem um diálogo entre a condição do indivíduo e da coletividade. Foi a primeira vez que um livro foi inteiramente ilustrado com o uso da fotomontagem.



Alexander RodchenkoIlustração para o poema de Mayakovsky “Isto”, 1923. 


As técnicas da colagem e da fotomontagem estão entre as influências mais significativas das vanguardas modernas. Hoje podemos perceber que a técnica foi absorvida nos diversos universos gráficos e estéticos, entre eles a ilustração.Cores, texturas, símbolos gráficos, fotografias e vestígios de imagens dialogam com o texto, compondo um mundo em fragmentos, onde a linguagem e a construção da imagem são mais determinantes do que a realidade representada.





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“Always in search of curious objects, broken toys, bits of things and traces of stories, Adriana Peliano stitches together desires, monsters and fairy tales. Her collages and metamorphic assemblages are magical and multiple inventories, where logic is reinvented with new meanings and narratives, creating language games and dream labyrinths. Everything is transformed to tell new stories that dislocate our way of seeing, inviting the marvellous to visit our world.” “Sempre em busca de objetos curiosos, restos de brinquedos, cacos de mundos e rastros de estórias, Adriana Peliano costura desejos, monstros e contos de fadas. Suas colagens, metamofoses e assemblagens despertam inventários mágicos e múltiplos, onde a lógica do cotidiano é reinventada em novos sentidos e narrativas, criando jogos de linguagem e labirintos de sonhos. Tudo se transforma para contar novas estórias, abrindo portas para o maravilhoso.”