1 September 2009

Ilustrações de Claudia Scatamacchia

Claudia Scatamacchia


AVENTURAS DE ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS
Tradução cedida por Sebastião Uchôa Leite.
Ilustrações de Claudia Scatamacchia.
São Paulo: Círculo do livro S.A., 1982.

AVENTURAS DE ALICE ATRAVÉS DO ESPELHO
Tradução cedida por Sebastião Uchôa Leite.
Ilustrações de Claudia Scatamacchia. 
São Paulo: Círculo do livro S.A., 1986.


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As ilustrações de Claudia Scatamacchia para os livros de Alice são verdadeiras jóias, em especial para o  País das Maravihas onde suas imagens são mais inesperadas e surpreendentes. Suas figuras têm grande força e beleza, estabelecendo uma abordagem particular do mundo de Alice com sensibilidade e sutileza. 

A singularidade de suas ilustrações reside em grande parte na relação entre os personagens e a  arquitetura dos espaços, na interação de Alice com a paisagem, na composição, no ponto de vista, contribuindo a todo momento para um grande dinamismo e vitalidade para as aventuras de Alice, contrastando com a falta de movimento que predomina nas ilustrações de Alice. 




Claudia Scatamacchia / País das Maravilhas


John Tenniel (1865)


Através de um pontilhismo cuidadoso os personagens adquirem um volume sutil, com grande sensualidade e leveza, contrastando com o jogo de planos geométricos que desestabilizam o espaço naturalista. Alice é frágil e desafiadora, etérea e sensual. Seus cabelos soltos brincam na paisagem num mundo de sonhos, desafios e surpresas.


Cabe enfatizar que essa edição, do Círculo do Livro, conta com a tradução cedida por Sebastião Uchoa Leite, a mais importante tradução realizada para o português. As ilustrações por sua vez também propõe desafios  mais complexos para o leitor do que grande parte das ilustrações.



Claudia Scatamacchia / País das Maravilhas


John Tenniel (1865)




Claudia Scatamacchia / País das Maravilhas


John Tenniel (1865)


Para Alice através do Espelho suas ilustrações apresentam o mesmo rigor técnico, além de sua refinada sensibilidade, marcados através de geometrias complexas que revelam um mundo regido por outras leis. Entretanto as soluções gráficas são mais previsíveis em relação as do País das maravilhas. 

Nesse segundo livro, a geometria da composição e dos cenários é mais enfática e determinante, tratamento merecido tendo em vista o caráter eminentemente geométrico do tabuleiro e das peças do xadrez, assim com de seus infinitos reflexos produzidos na superfície do espelho. Só que neste sentido podemos também identificar que as composições das cenas tem menos autonomia e originalidade do que no outro livro, se aproximando bem mais dos enquadramentos e pontos de vista definidos por Tenniel.



Claudia Scatamacchia / Através do Espelho


John Tenniel (1865)


Na composição e no tratamento dos cenários, predominantemente através de hachuras, linhas e planos sobrepostos, que contrapõe-se ao pontilhismo dos rostos e expreossões dos personagens, as ilustrações de Scatamacchia apresentam também afinidades com as fundamentais ilustrações do inglês Ralph Steadman. Uma outra conexão marcante com o trabalho de Steadman é a ênfase dada aos cabelos de Alice, longos e esvoaçantes, linhas dinâmicas capazes de se integrarem à todo momento no ritmo e na geometria das cenas e composições.



Claudia Scatamacchia / Através do Espelho


John Tenniel (1865)


Cabe ressaltar que muito embora as ilustrações de Scatamacchia para o País das Maravilhas sejam mais singulares e originais do que as do Espelho estas ainda merecem destaque por sua coerência e sensibilidade, entre as reduzidas edições desse livro em português se comparadas às inúmeras edições para o País das Maravilhas.




Claudia Scatamacchia / Através do Espelho



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“Always in search of curious objects, broken toys, bits of things and traces of stories, Adriana Peliano stitches together desires, monsters and fairy tales. Her collages and metamorphic assemblages are magical and multiple inventories, where logic is reinvented with new meanings and narratives, creating language games and dream labyrinths. Everything is transformed to tell new stories that dislocate our way of seeing, inviting the marvellous to visit our world.” “Sempre em busca de objetos curiosos, restos de brinquedos, cacos de mundos e rastros de estórias, Adriana Peliano costura desejos, monstros e contos de fadas. Suas colagens, metamofoses e assemblagens despertam inventários mágicos e múltiplos, onde a lógica do cotidiano é reinventada em novos sentidos e narrativas, criando jogos de linguagem e labirintos de sonhos. Tudo se transforma para contar novas estórias, abrindo portas para o maravilhoso.”