21 November 2015

Clássica adaptação de Alice traduzida por Dirce Waltrick Amarante


Orelhas por Adriana Peliano



Faz tempo que Alice não é nome de menininha. Faz tempo que Alice não é nome de um personagem de estórias curiosas e cheias de surpresas. Alice virou nome de viagem, de sonho, de nonsense, de aventuras na língua e na linguagem. Quando a lagarta pergunta para Alice – Quem é você? – Alice não sabe dizer depois de ter se transformado tantas vezes naquele dia. Às vezes assustada, às vezes entusiamada, se descobre em constante transformação. E assim ela saltou das páginas do livro e se transformou muitas e muitas vezes, seguindo novas modas e modos, numa viagem ao mundo em 150 anos.

Sabemos que a estória de Alice foi contada pela primeira vez por Lewis Carroll em um passeio de barco (1862) com Alice Liddell e suas irmãs. Essa estória deu origem a um manuscrito nomeado como Aventuras de Alice no Subterrâneo (1864) que se desdobrou no clássico Aventuras de Alice no País das Maravilhas (1865). Novos personagens, figuras e diálogos foram criados nesse processo. Anos mais tarde o próprio Lewis Carroll recontaria a estória para crianças pequeninas em The Nursery “Alice” (1890). No início do século passado a editora original de Alice, a Macmillan de Londres, publicou uma adaptação anônima das aventuras de Alice na coleção "Little Folks Edition", lançada inicialmente em 1903. As ilustrações são versões das ilustrações de Tenniel com novas cores e sabores. É essa adaptação você vai encontrar nesse livro.

A história é recontada menos elaborada e complexa, mais simples e acessível, mais fácil de ler, ainda assim envolvente e sedutora. O leitor habituado com o livro original irá preceber trechos que foram excluidos e algumas mudanças que foram feitas também. Mas como ler Alice é uma viagem sem fim, esse livro é um novo convite, como um coelho branco nos enfeitiçando para mergulhar em sua toca mágica, aonde muitas portas ainda esperam serem abertas por leitores curiosos e corajosos. Como Alice que cresce e diminui tantas vezes em suas aventuras, esse livro é uma Alice que bebeu da garrafa escrito “beba-me” e encolheu de tamanho. Agora é papel do leitor comer o bolo na tradução fluida e divertida de Dirce Waltrick do Amarante, que viajou no país das maravilhas para brincar com as palavras, o nonsense e a arte das transformações e alicedélicas alicinações.

Adriana Peliano

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“Always in search of curious objects, broken toys, bits of things and traces of stories, Adriana Peliano stitches together desires, monsters and fairy tales. Her collages and metamorphic assemblages are magical and multiple inventories, where logic is reinvented with new meanings and narratives, creating language games and dream labyrinths. Everything is transformed to tell new stories that dislocate our way of seeing, inviting the marvellous to visit our world.” “Sempre em busca de objetos curiosos, restos de brinquedos, cacos de mundos e rastros de estórias, Adriana Peliano costura desejos, monstros e contos de fadas. Suas colagens, metamofoses e assemblagens despertam inventários mágicos e múltiplos, onde a lógica do cotidiano é reinventada em novos sentidos e narrativas, criando jogos de linguagem e labirintos de sonhos. Tudo se transforma para contar novas estórias, abrindo portas para o maravilhoso.”