15 August 2015

Alice covers, Alice portals


"Nenhum livro acaba. Os livros não são longos, São largos. A página, como sua própria forma revela, não passa de uma porta para a subjacente presença do livro, ou antes para outra porta, que leva a outra. Terminar um livro significa abrir a última porta, para que nunca mais se feche, nem esta nem a que abrimos até aqui para atravessar seu umbral, e todas as que infinitamente se abriram, continuam a se abrir, serão abertas num infinito ranger de gonzos. 

O livro finito é infinito, o livro fechado é o livro aberto. Todo o livro se recolhe em torno de nós, todas as páginas são uma página, todas as portas, visíveis e invisíveis, são uma única porta, porta tão escancarada que não só posso atravessar seu umbral, como ela se tornou umbral de si mesma, eu penetro a porta, todas as portas são penetráveis, não se distinguem as portas abertas das portas fechadas, as portas levam de porta em porta, nada está fechado, tudo está fechado, tudo está aberto, nada está aberto."


MANGANELLI, Giorgio. Pinóquio: um livro paralelo. São Paulo: Companhia das letras, 2002. p.181






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“Always in search of curious objects, broken toys, bits of things and traces of stories, Adriana Peliano stitches together desires, monsters and fairy tales. Her collages and metamorphic assemblages are magical and multiple inventories, where logic is reinvented with new meanings and narratives, creating language games and dream labyrinths. Everything is transformed to tell new stories that dislocate our way of seeing, inviting the marvellous to visit our world.” “Sempre em busca de objetos curiosos, restos de brinquedos, cacos de mundos e rastros de estórias, Adriana Peliano costura desejos, monstros e contos de fadas. Suas colagens, metamofoses e assemblagens despertam inventários mágicos e múltiplos, onde a lógica do cotidiano é reinventada em novos sentidos e narrativas, criando jogos de linguagem e labirintos de sonhos. Tudo se transforma para contar novas estórias, abrindo portas para o maravilhoso.”