16 December 2014

Nova edição do JAGUADARTE


Fico feliz de apresentar essa nova edição do poema "Jaguadarte" pela editora Nhambiquara  que trás a amaravilhosa tradução de AUGUSTO DE CAMPOS e alicinantes ilustrações de RITA VIDAL.  


O poema original de Lewis Carroll - Jabberwocky - foi publicado na obra "Através do espelho e o que Alice encontrou lá" em 1871, mas sua enigmágica estrofe alicinógena foi criada muitos anos antes e publicada em uma das revistas que o autor criou para divertir a família (Mischmasch). A originalidade do poema e suas palavras valise que embrulham dois ou mais significados numa palavra só desbravou caminhos artísticos como um elogio à liberdade criadora e um convite ao jogo e à inesgotável aventura da linguagem. 


Em minha busca incessante pelas aparições, metamorfoses e epifanias de Alice nas diversas artes me defronto aqui com um presente de desaniversário. Experiências como essa nos levam para beber na fonte de alicinações que transbordam dos livros de Alice em sua potência criativa e transformadora. 
Em figuras e palavras, cores e texturas, ritmos e silêncios, sutilezas e invisíveis, enigmas e surpresas,  a viagem do leitor é também um desafio ao lugar comum, às fórmulas acomodadas e às frases feitas que nos habitam. "Bravooh! Bravarte!" 






Texto de divulgação:

Editora Nhambiquara lança tradução do Jaguadarte marcando a comemoração dos 150 anos da primeira edição do livro "Alice no País das Maravilhas".


"Em um trecho de Alice Através do Espelho, continuação do clássico Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll, a personagem central da narrativa encontra-se com Humpty Dumpty, ou Homem-Ovo, uma curiosa criatura que tem por hábito jogar com as palavras e responder às perguntas da menina com frases ambíguas e trocadilhos.

Impressionada com a habilidade de Dumpty com as palavras, Alice pede a ele que lhe explique o sentido do Jaguadarte, um poema diferente, cheio de neologismos, que ela havia lido em um livro e que a intrigava justamente pela dificuldade de compreensão. Lançado em 1871, o texto, considerado um dos mais inventivos de Carroll, é um exercício livre de imaginação, cheio de frases com palavras-valise (com dois significados embrulhados numa palavra só), e em estilo totalmente nonsense que revolucionou a literatura feita para crianças e influenciou a estética modernista e o movimento surrealista.


Já traduzido para mais de 15 idiomas, o texto ganhará neste ano uma tradução em português feita pelo ensaísta e poeta concretista brasileiro Augusto de Campos. “Com o Jaguadarte, Carroll deu impulso a uma nova maneira, não-dicionarizada, não-institucional, de abordar a linguagem, no plano criativo, fornecendo-nos instrumentos sensíveis para a nossa percepção dentro da complexidade das relações entre mundo e mente humana”, explica Campos."


Era briluz….






 Rita Vidal


"Foge do Jaguadarte, o que não morre!
Garra que agarra, bocarra que urra!"


SOBRE AS ILUSTRAÇÕES


"Rita Vidal comenta o desafio em dar forma e cores ao famoso personagem criado por Lewis Carroll, autor de Alice no País das Maravilhas.

No início deste ano, a artista plástica Rita Vidal recebeu uma proposta desafiadora: ilustrar o poema Jaguadarte, clássico do escritor Lewis Carroll, autor de Alice no País das Maravilhas.

O desafio proposto tem relação direta com a construção da obra. Com linguagem nonsense, o livro é um convite à livre imaginação dos leitores (crianças e adultos) e, por conta disso, não descreve objetivamente nenhum personagem ou paisagem apresentados. “Mais do que as referências de Lewis Caroll, foi a tradução (do poeta concretista Augusto de Campos) que conduziu a criação de todos os personagens. Foi Campos que me contou que o Jaguadarte era um Jaguar de arte ou um jaguar-espadarte ou uma água com arte, e assim fomos”, relembra Rita.


Para dar forma ao universo fantástico proposto no livro e, principalmente, aos seus personagens, a artista utilizou inúmeros papéis (de texturas, cores e aspectos distintos), uma característica marcante em seus trabalhos de ilustração. “Busquei no início utilizar papéis que me trouxessem sensações do poema. Depois escolhi a cartela de cores que imaginava usar ali. Tem um bocado de papéis diferentes: papéis de parede, papéis de carta, e papéis artesanais japoneses. A escolha se dá pela necessidade de cada cena, de cada paisagem ou personagem”, explica.


A roupa do personagem Homenino, por exemplo, é toda feita de papéis japoneses, que, para a artista, traduziam bem a ideia visual de uma malha canelada de pijama usada na história pelo personagem. Além da tradução de Campos, a versão musicada do poema, feita por Arrigo Barnabé e cantada pela Tetê Espíndola, também contribuiu para a artista na criação das ilustrações. “Essa música ficou na minha cabeça assim que a ouvi - e ainda consigo ouvi-la quando olho pras ilustrações. Além da voz da Tetê, estridente, a música é toda vertiginosa, misteriosa, ‘espinhuda’, sensações que, espero ter conseguido trasmitir para as ilustrações”, analisa.


Composto por 16 ilustrações, o livro Jaguadarte será lançado pela editora Nhambiquara em novembro. A obra inicia as comemorações dos 150 anos de publicação da primeira edição de Alice no País nas Maravilhas (que serão comemorados oficialmente em 2015)."





Rita Vidal

"Sorrelfiflando através da floresta,



Rita Vidal

e borbulia um riso louco."

SOBRE OS AUTORES


AUGUSTO DE CAMPOS Nascido em São Paulo, em 1931, poeta, tradutor, ensaísta, crítico de literatura e música. Em 1951, publicou o seu primeiro livro de poemas, O Rei Menos o Reino. Em 1952, com seu irmão Haroldo de Campos e Décio Pignatari, lançou a revista literária Noigandres, origem do Grupo Noigandres que iniciou o movimento internacional da Poesia Concreta no Brasil. Em 1956, participou da organização da Primeira Exposição Nacional de Arte Concreta (Artes Plásticas e Poesia), no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM). Sua obra veio a ser incluída, posteriormente, em muitas mostras, bem como em antologias internacionais como as históricas publicações Concrete Poetry: an International Anthology, organizada por Stephen Bann (London, 1967). A maioria dos seus poemas acha-se reunida em Viva Vaia, 1979, Despoesia (1994) e Não (com um CDR de seus Clip-Poemas), (2003). Outras obras importantes são Poemobiles (1974) e Caixa Preta (1975), coleções de poemas-objetos em colaboração com o artista plástico e designer Julio Plaza.


RITA VIDAL nasceu em Londrina (PR), em 1980. É ilustradora, artista plástica e professora. Já deu aula de criação no Centro Universitário SENAC no curso de moda e hoje em dia se dedica à criação de livros ilustrados e objetos de arte na Vila Pompeia, em São Paulo. É autora de Dix & Bisteca (Companhia das Letrinhas), 2013. Pela Editora Nhambiquara ilustrou o livro Sapucaya - A Grande Árvore (2010), de autoria de João Bosco de Sousa.


SOBRE A EDITORA NHAMBIQUARA

Concebida em 2008 pelo escritor, ator, psicólogo e contador de histórias João Bosco Sousa, a Nhambiquara, que no Tupi-Guarani quer dizer “fala de gente inteligente”, tem como objetivo produzir livros e outros materiais literários de boa qualidade, acessíveis, que possam contribuir com a produção do conhecimento da cultura brasileira e a inclusão social. Desde o início de suas atividades, a editora já publicou o livro Um Gole D’Agua pra Refrescar a Memória, crônicas de sua autoria, e Toque de Letra, um livro de poesia e letras de música de Paulo César de Carvalho, professor do sistema Anglo de Ensino e vocalista da banda Os Babilaques.






"Foge da ave Felfel, meu filho, e corre
do frumioso Babassurra!"



JAGUADARTE

tradução Augusto de Campos.

Era briluz. As lesmolisas touvas 
roldavam e reviam nos gramilvos. 
Estavam mimsicais as pintalouvas, 
E os momirratos davam grilvos. 

"Foge do Jaguadarte, o que não morre! 
Garra que agarra, bocarra que urra! 
Foge da ave Fefel, meu filho, e corre 
Do frumioso Babassura!" 

Ele arrancou sua espada vorpal 
e foi atras do inimigo do Homundo. 
Na árvore Tamtam ele afinal 
Parou, um dia, sonilundo. 

E enquanto estava em sussustada sesta,
Chegou o Jaguadarte, olho de fogo, 
Sorrelfiflando atraves da floresta, 
E borbulia um riso louco! 

Um dois! Um, dois! Sua espada mavorta 
Vai-vem, vem-vai, para tras, para diante! 
Cabeca fere, corta e, fera morta, 
Ei-lo que volta galunfante. 

"Pois entao tu mataste o Jaguadarte! 
Vem aos meus braços, homenino meu! 
Oh dia fremular! Bravooh! Bravarte!" 
Ele se ria jubileu. 

Era briluz. As lesmolisas touvas 
Roldavam e relviam nos gramilvos. 
Estavam mimsicais as pintalouvas, 
E os momirratos davam grilvos.


Editora

Comunicação


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por Tatiana Franca Rodrigues



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“Always in search of curious objects, broken toys, bits of things and traces of stories, Adriana Peliano stitches together desires, monsters and fairy tales. Her collages and metamorphic assemblages are magical and multiple inventories, where logic is reinvented with new meanings and narratives, creating language games and dream labyrinths. Everything is transformed to tell new stories that dislocate our way of seeing, inviting the marvellous to visit our world.” “Sempre em busca de objetos curiosos, restos de brinquedos, cacos de mundos e rastros de estórias, Adriana Peliano costura desejos, monstros e contos de fadas. Suas colagens, metamofoses e assemblagens despertam inventários mágicos e múltiplos, onde a lógica do cotidiano é reinventada em novos sentidos e narrativas, criando jogos de linguagem e labirintos de sonhos. Tudo se transforma para contar novas estórias, abrindo portas para o maravilhoso.”