16 April 2010

Alice por Max Ernst


Max Ernst’s illustrations for Lewis Carroll’s Wunderhorn (“Miracle Horn,”) 1970, and “Die Jagd nach dem Schnark” (“The Hunting of the Snark,”) 1969. The music is “Oiseaux Exotiques” by Olivier Messiaen.





"I think Max Ernst was always one of the most genuinely Nonsensical surrealists, plus he had a real sense of style and was always whooping it up. The way he bridged the late 19th century visual imagination into the eternal, shared dream of surrealism made a perfect place for some of Carroll’s works to live in.

When I was a kid out in the Virginia rural boondocks, my utterly cool, chain-smoking, wine-swilling, pharmacologically rampant Berliner-Tante Monica gave me a copy of Ernst’s Week of Kindness and I was utterly smitten. Carroll & Ernst, sounds like deranged, hipster accountants!"

Mahendra Singh at The official web site of the LCSNA.


Max ERNST: Lewis Carroll Wunderhorn


Catálogo da exposição – Max Ernst / esculturas, obras sobre papel, obras gráficas. Textos de Werner Spies.
Museu Brasileiro de Escultura – Marilisia Rathsam, São Paulo: Torcular, 1997.
3 Reproduções a cores das ilustrações de Ernst para “Lewis Carroll Wunderhorn”, 1964.

ERNST, Max.
Bücher und grafiken. Institut für Auslandsbeziehungen. Köln: Dumont Buchverlag, 1977.
7 reproduções P&B das ilustrações de Ernst para “Lewis Carroll Wunderhorn”, 1964.

ERNST, Max.
“Lewis Carroll Wunderhorn” Auswahl der Texte Von Max Ernst und Werner Spies. Original – lithografien Von Max Ernst. Stuttgart, Manus PResse, 1970.
Formato: 33 x 25 cm. 80 seiten MIT 36 litografien Von Max Ernst.




Lewis Carroll’s Wunderhorn, um volume ilustrado por Max Ernst através de uma série de 36 litografias auxiliadas pela técnica do frottage*, foi publicado em 1970. A arte de Ernst, aparentemente tão espontânea e afetiva, se reveste de alto grau de precisão lógica e geométrica. Não foi por acaso que se ocupou de um aspecto fundamental da obra de Lewis Carroll geralmente negligenciado: seus textos sobre lógica.


Todo o mundo fantástico de Carroll foi construído com base na lógica simbólica e na matemática, referência indispensável para a compreensão da dimensão maior de sua obra. As possíveis relações entre a lógica e a linguagem são questões que habitam a obra de Carroll assim como suas cartas.


Em suas ilustrações, Ernst se aproxima desse espírito lógico. As imagens traduzem os modelos matemáticos do autor em representações simbólicas, através de imagens marcadas pela geometria e pela idéia de jogo, sem abdicar do caráter onírico e surreal de sua obra. As formas geométricas e orgânicas se fundem numa dança poética.


Os silogismos e os sorites são formalizados e recheados por conteúdos do mundo representados pela língua, pela etimologia, pelas palavras homônimas, pelos acrósticos e anagramas, pelas figuras retóricas (...) O interesse de Ernst pelos mecanismos fixos da lógica são capazes então de detonar a sua fantasia. A partir daí aquilo que para o pensamento convencional parece um nonsense torna-se plausível num nível mais alto, no nível de um mundo recriado.
Spies




Mas se nas ilustrações para Lewis Carroll Wunderhorn Enst se propôs a ser mais lógico e matemático do que os surrealista costumavam ser, podemos questionar a estreita relação defendida por muitos entre o processo de criação surrealista e o nonsense de Lewis Carroll. Fundamentalmente os processos carrollinianos são até mesmo o contrário de todo o processo surrealista, de forma que “(...) a idéia mais geral da criação onírica está no plano oposto das fantasias carrolinianas. Nelas, de certa maneira, o sonho é exorcizado pela realidade. Há uma fronteira precisa entre os dois universos e para passar de um para o outro é preciso submeter-se a um rito, entrar na toca e cair no poço ou então atravessar o espelho.” Entre a lógica do sonho e o sonho da lógica.
Sebastião Uchoa Leite


* Frottage:
Partindo da velha lição de Leonardo – olhar paredes envelhecidas, fonte inesgotável d imagens fantásticas sobre as quais é Possível trabalhar – Ernst relata como seu “olhar irritado” foi aprisionado pelas ranhuras do assoalho. Decidido a interrogar essa obsessão, o artista coloca sobre as tabuas folhas de papel que esfrega com grafite, retirando da madeira uma série de desenhos. ‘Com a curiosidade assim despertada e maravilhada’, escreve Ernst em Beyond painting, comecei a interrogar indiferentemente, utilizando para isso o mesmo meio, todos os tipos de material que se encontravam no meu campo visual: folhas e suas nervuras, as bordas desfiadas de um pano, (...) etc. Meus olhos viram então cabeças humanas, diversos animais, uma batalha que termina com um beijo (...)’ Assim o frottage faz surgir um mundo estranho que suscita o pânico e o encantamento.

João Frayze Pereira











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“Always in search of curious objects, broken toys, bits of things and traces of stories, Adriana Peliano stitches together desires, monsters and fairy tales. Her collages and metamorphic assemblages are magical and multiple inventories, where logic is reinvented with new meanings and narratives, creating language games and dream labyrinths. Everything is transformed to tell new stories that dislocate our way of seeing, inviting the marvellous to visit our world.” “Sempre em busca de objetos curiosos, restos de brinquedos, cacos de mundos e rastros de estórias, Adriana Peliano costura desejos, monstros e contos de fadas. Suas colagens, metamofoses e assemblagens despertam inventários mágicos e múltiplos, onde a lógica do cotidiano é reinventada em novos sentidos e narrativas, criando jogos de linguagem e labirintos de sonhos. Tudo se transforma para contar novas estórias, abrindo portas para o maravilhoso.”