1 September 2009

Ilustrações de Jô Oliveira


Jô Oliveira

ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS
Tradução de Ana Maria Machado.
Ilustrações de Jô Oliveira.
São Paulo: Editora Ática, 1997.
Formato: 17 x 23,5 cm. 135 pág.
26 ilustrações, P & B. Scretch Board.


Images influenced by the popular northeastern culture, with direct influences of the woodcuts of Cordel, from Brazillian popular culture.
Google translator



Jô Oliveira


“Fazer essa tradução de Alice no Pais das Maravilhas foi muito trabalhoso e divertido. Como já existem várias Alices em português, só valia a pena partir para mais uma se ela fizesse falta. E nós achamos que sim, por que até agora nenhuma tinha sido como esta.”
Ana Maria Machado


A adaptação de Ana Maria Machado traz uma importante contribuição para as traduções e adaptações de Alice já realizadas para o português. Nela, em especial, o texto de Alice é em grande parte traduzido na íntegra, mas os trocadilhos, paródias e jogos de linguagem característicos de Carroll são adaptados para o português e a cultura brasileira com humor e sensibilidade.

Ana Maria Machado procura brincar com as palavras e os sentidos como Carroll brincava, mas na nossa língua, parodiando poemas nossos conhecidos por nossas crianças das gerações recentes como o poema “A casa” de Vinícius de Moraes. Seu texto final traz informações sobre o contexto da Inglaterra Vitoriana em que o livro foi escrito, sobre a vida do autor, além de explicações e comentários sobre sua transcriação dos jogos de linguagem de Carroll.

Em suas palavras, “Quase todas as traduções de Alice para o português, tradicionalmente, mesmo as melhores, procuravam se dirigir às crianças e, para isso, achavam que tinham só que contar a histórias e deixar de lado os trocadilhos, as piadas lingüísticas, as alusões literárias – principalmente por que era muito difícil traduzir isto. Mas a história ficava sem pé nem cabeça, e o nonsense típico de Carroll virava insensatez, já que grande parte da história é um resultado direto desse jogo de palavras, nasce deles, e seria completamente diferente se o autor tivesse escrito em outra língua. Por outro lado, uma tradução brilhante, fiel e criadora como a de Sebastião Uchoa Leite sem dúvida a melhor de todas, se dirige a leitores maduros e sofisticados, capazes, por exemplo, de descobrir sozinhos a que poemas do século XIX as paródias dos textos se referem e, então, apreciá-las completamente”. 
Ana Maria Machado


Jô Oliveira



Sobre as Figuras de Jô Oliveira


As ilustrações de Jô Oliveira contribuem com a tradução de Ana Maria Machado em sua investida na adaptação de Alice segundo nossas referências culturais. E ao contrário do que pode aparecer a primeira vista, Jô não procura apenas por uma Alice brasileira, mas por uma ilustração brasileiramente Alice, em direção à sua universalidade.

Jô nasceu e viveu sua infância no Nordeste e assim a cultura popular nordestina, nas histórias do Cangaço, na xilogravura dos cordéis e nas músicas de Luiz Gonzaga, o marcaram profundamente, convivendo no imaginário da sua juventude, com o cinema americano e os quadrinhos de super-heróis. Estudou intensamente a xilogravura nordestina e a gravura medieval e a partir daí desenvolveu um estilo inconfundível, regatando a vitalidade e a autenticidade de suas origens culturais.

Uma outra paixão determinante na vida e na obra de Jô, são os livros e as histórias infantis, com destaque para as obras completas de Monteiro Lobato, Pinóquio, o Mágico de Oz e em especial, Alice no Pais das Maravilhas. Ao reunir esses dois repertórios, da cultura popular nordestina e de Alice no País das Maravilhas, Jô criou sua Alice única. Seus personagens são em geral roliços como se fossem feitos de madeira, os traços são rústicos e as composições chapadas e sem profundidade, influências diretas de sua ligação com a xilogravura nordestina.





Jô Oliveira



Através da técnica do Scratch Board, Jô desenhou suas ilustrações sobre um papelão coberto com uma fina camada de gesso, sobre o qual os desenhos são depois raspados, aproximando-se ainda mais dos efeitos da gravura.

Jô é um grande amigo com quem tive a oportunidade de conversar muito sobre Alice. Colecionador como também um conhecedor sobre a obra e a trajetória das ilustrações de Alice, contribuiu com muitas informações importantes presentes nesse blog, trocando livros, opiniões e afinidades, durante muitos encontros. Agradeço a ele por ter contribuido com essa perquisa e por compartilhar essa busca incessante pelas aventuras da imaginação.




Jô Oliveira



ENTREVISTA EXCLUSIVA

O que mais te atrai na história de Alice no País das Maravilhas?

Tudo me atrai no livro de Alice. Principalmente a inovação no texto para crianças. Alice no País das Maravilhas é um marco na literatura. Uma revolução.

Que aspectos da história você quis enfatizar nas suas ilustrações?

Não tive nenhuma pretensão apenas queria mostrar o meu amor por esse livro fantástico.

Você ilustrou também uma biografia de Lewis Carroll para crianças. Como você acha que saber mais sobre a vida dele ajudar agente a comprender melhor a obra? Que elementos da vida do autor são mais intrigantes para você?

Para mim um bom livro vai além do conteúdo e do próprio livro.
Quando eu amo um livro tudo em volta dele me interessa e aguça a minha curiosidade.

Sei também que você coleciona um vasto material sobre o assunto. Como é a sua coleção? Quando ela começou? O que você destaca nela que você considera mais especial?

Comecei a juntar livros de Alice e também tudo que se relacionava com ele quando eu era estudante de arte em Budapeste. Não considero uma coleção mas tenho por volta de setenta peças. Além de livros tenho alguns filmes, selos e outras coisas.

Quais são os ilustradores de Alice que você gosta mais? Você acha que o ilustrador de Alice deve se inspirar nas ilustrações originais de Tenniel?

Não acho que precisam se basear nas ilustrações de Tenniel. Mas fora Rackham e Steadman poucos escaparam dessa influência.
Estes são os meus ilustradores preferidos: Tenniel, Rackham, Pogany, Robinson (os três Robinson), Peake, A. E. Jackson, Bowley, Furniss, Munro, Walker, Sexton, Maybank, Ovenden, Steadman, Gutman e Peter Blake. Na verdade a lista não está completa porque cada livro que vejo de Alice as ilustrações me despertam a curiosidade.

About Me

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“Always in search of curious objects, broken toys, bits of things and traces of stories, Adriana Peliano stitches together desires, monsters and fairy tales. Her collages and metamorphic assemblages are magical and multiple inventories, where logic is reinvented with new meanings and narratives, creating language games and dream labyrinths. Everything is transformed to tell new stories that dislocate our way of seeing, inviting the marvellous to visit our world.” “Sempre em busca de objetos curiosos, restos de brinquedos, cacos de mundos e rastros de estórias, Adriana Peliano costura desejos, monstros e contos de fadas. Suas colagens, metamofoses e assemblagens despertam inventários mágicos e múltiplos, onde a lógica do cotidiano é reinventada em novos sentidos e narrativas, criando jogos de linguagem e labirintos de sonhos. Tudo se transforma para contar novas estórias, abrindo portas para o maravilhoso.”