9 August 2010

Life, what is it but a dream?

A Boat Beneath a Sunny Sky

Lewis Carroll
(from Through the Looking Glass, 1872)

A boat beneath a sunny sky,
Lingering onward dreamily
In an evening of July —
Children three that nestle near,
Eager eye and willing ear,
Pleased a simple tale to hear —
Long had paled that sunny sky:
Echoes fade and memories die.
Autumn frosts have slain July.
Still she haunts me, phantomwise,
Alice moving under skies
Never seen by waking eyes.
Children yet, the tale to hear,
Eager eye and willing ear,
Lovingly shall nestle near.
In a Wonderland they lie,
Dreaming as the days go by,
Dreaming as the summers die:
Ever drifting down the stream —
Lingering in the golden gleam —
Life, what is it but a dream?



Ao sol segue o barco em frente.
Lento desliza, sonhadoramente,
Inclinando-se à voga na corrente.
Caras ciranças, um trio a escutar,
Excitamento e brilho em seu olhar
Por tão singelo conto a palpitar.
Longe se vai aquele céu dourado,
Eco que esmorece, do passado:
Ao sol de estio, sucede outono e enfado.
Sempre me perseguindo essa lembança.
Alice, sombra no céu que não se alcança,
Nunca visya por olhos sem esperança.
Contudo, vejo-as ainda a palpitar,
Em seus rostos acesos este olhar
Luzindo de avidez ao escutar.
Imagens de um país das maravilhas,
Distantes neste sonho onde o sol brilha,
Distante sonho onde o verão se estilha.
Elas deslizam ao longe, no entressonho,
Lentamente sobre um céu risonho...
Longe. A vida o que é, senão um sonho?

Tradução Sebastião Uchôa Leite

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“Always in search of curious objects, broken toys, bits of things and traces of stories, Adriana Peliano stitches together desires, monsters and fairy tales. Her collages and metamorphic assemblages are magical and multiple inventories, where logic is reinvented with new meanings and narratives, creating language games and dream labyrinths. Everything is transformed to tell new stories that dislocate our way of seeing, inviting the marvellous to visit our world.” “Sempre em busca de objetos curiosos, restos de brinquedos, cacos de mundos e rastros de estórias, Adriana Peliano costura desejos, monstros e contos de fadas. Suas colagens, metamofoses e assemblagens despertam inventários mágicos e múltiplos, onde a lógica do cotidiano é reinventada em novos sentidos e narrativas, criando jogos de linguagem e labirintos de sonhos. Tudo se transforma para contar novas estórias, abrindo portas para o maravilhoso.”