27 November 2009

ALICE NO PAÍS DE LEMINSKI


ali


Poems of the Brazilian poet Paulo Leminsky, inspired by his two dear Alices:
his wife Alice Ruiz and Alice in Wonderland.


Alice08_Pleasanter
Abelardo Morel



ali
ali
se

se alice
ali se visse
quanto alice viu
e não disse

se ali
ali se dissesse
quanta palavra
veio e não desce

ali
bem ali
dentro de alice
só alice
com alice
ali se parece.

Paulo Leminski

Caprichos e Relaxos. p. 18

ali



Alice03_Drink

Abelardo Morel


se alice


ana vê alice
como se nada visse
como se nada ali estivesse
como se ana não existisse

vendo ana
alice descobre a análise
ana vale-se
da análise de alice

Paulo Leminski
Caprichos e relaxos. p.77

ali se visse


Alice02_Garden
Abelardo Morel


quanto alice viu



espaçotemponave para alice
frag
mentos
do naufrágio
da vida
jogado
na praia
de uma terra desconhecida


por isso
nos apertar
tanto
nos juntar
tanto

juntos enfrentar
a noite
dos espaços interestelares


Paulo Leminski

Caprichos e Relaxos. p. 51

e não disse.




Alice06_Swimming

Abelardo Morel


se ali

você me alice

eu todo me aliciasse
asas
todas se alassem
sobre áquas cor de alface
ali
sim
eu me aliviasse

Paulo Leminski
Caprichos e Relaxos. p. 33

ali se dissesse



5-9-1950
Alice Ruiz, 4 anos.

quanta palavra



O ensaio de Róbison Benedito Chagas, Alice no país de Leminski, "mostra um pouco da escritura liminskiana a partir de quatro poemas que biscam a afirmação poética através do nome Alice e da palavra ousada alice. E é com o nome da mulher amada que ele percorre um vasto caminho, dando amostras de um eu poético voltado ao experimentalismo e atrelado ao seu lirismo meio lúdico de cjogar com o nome que não é só nome. É, além de tudo, poesia."

"Leminski sempre buscou o sentido, trazendo-o à tona, às vezes, das formas mais inusitadas possíveis, como nestes quatro poemas que se seguem, núcleo de um grupo em que o eu-poético se mistura ao homem Paulo Leminski e Alice Ruiz, a mulher, a poeta à fonte de várias escrituras. Aqui podemos ver refletido um Leminski voltado para o experimentalismo, fundando o “seu” sentido na palavra que reflete sua própria imagem, alice. Seria possível pensar que os poemas para Alice expressam um projeto poético fundado no conteúdo da forma, ou seja, no sentido que se manifesta na engenharia do poema. Leminski também é Lewis Carroll, pensa o ato da escritura, personificando-o em alice. Nesse ali se espelha alice."

O ARTIGO INTEIRO PODE SER LIDO AQUI


veio e não desce


Alice-Vilma-1992
Alice Ruiz por Vilma Slomp, 1992.

ali


bem ali

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“Always in search of curious objects, broken toys, bits of things and traces of stories, Adriana Peliano stitches together desires, monsters and fairy tales. Her collages and metamorphic assemblages are magical and multiple inventories, where logic is reinvented with new meanings and narratives, creating language games and dream labyrinths. Everything is transformed to tell new stories that dislocate our way of seeing, inviting the marvellous to visit our world.” “Sempre em busca de objetos curiosos, restos de brinquedos, cacos de mundos e rastros de estórias, Adriana Peliano costura desejos, monstros e contos de fadas. Suas colagens, metamofoses e assemblagens despertam inventários mágicos e múltiplos, onde a lógica do cotidiano é reinventada em novos sentidos e narrativas, criando jogos de linguagem e labirintos de sonhos. Tudo se transforma para contar novas estórias, abrindo portas para o maravilhoso.”